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Os Taviani devem viver!

por Orlando Margarido — publicado 18/02/2012 20h05, última modificação 18/02/2012 20h05

Berlim – Caros, deu os irmãos Taviani na Berlinale. A dupla Paolo e Vittorio ganhou o Urso de Ouro por Cesare Deve Morrire (Cesar Deve Morrer) na cerimônia encerrada agora a pouco. Meu preferido, talvez no mesmo grau, o português Tabu, ficou com um estranho premio para um trabalho de particular inovação. O próprio Gomes, com sua face de poucos amigos que lhe é peculiar mas apenas fachada, ironizou que achava que tinha feito um filme “old fashioned”, ultrapassado, antigo, referindo-se claro a historia romantica conta em preto-e-branco na segunda parte do filme. Aliás foi de um português, João Salaviza, o melhor curta-metragem, Rafa. Mas enfim, nem um pouco reprovável a decisão do júri. O filme dos Taviani é ótimo, eles voltaram a boa e velha forma, e claro, não se pode negligenciar a idade avançada de ambos, com mais de 80 anos. Fazia tempo que não filmava, e não poderemos saber agora quando voltarão ao set. Emocionante o discurso, e graças a ambos serem muito bem humorados quanto a parceria que nos faz até confundir quem é quem, pudemos saber que Paolo lembrou o quanto os irmãos esperavam um reconhecimento como este. Homenageou Shakespeare, de quem adaptam Julio Cesar, e Vittorio leu os nomes dos detentos, alguns já ex-detentos, que se fazem atores no filme. Não se pode esquecer o momento político detransição pelo qual a Itália passa, com o fim do governo Berlusconi. Um premio político também? Os irmãos tratariam de diminuir a questão, como fizeram aliás na entrevista da qual participei, e quis saber com a relação da obra com a atual situação do país. Talvez tenham razão. O mais importante é a questão artística e esta também vai mal na Itália, especialmente no cinema. Uma colega italiana me lembrou que o último premio fundamental num grande festival internacional foi para O Quarto do Filho, de Moretti, que aliás é um dos produtores do filme agora. Ele estava ao lado dos irmãos na cerimônia. Em Berlim, Marco Ferreri foi o último a vencer aqui em 1991 com La Casa di Sorriso. Portanto, significativo também para uma nova fase quem sabe melhor com novos diretores como Crialese e Paolo Sorrentino. Daqui a pouco os Taviani dão sua coletiva de imprensa como vencedores.
E o restante da premiação? De modo geral muitos acertos, mas dois equivocos gritantes relativos ao mesmo filme. Vamos logo a esses. A Royal Affair ficou com prêmios de melhor roteiro e melhor ator. Não que a historia da monarquia conservadora dinamarquesa chacoalhada pelas ideias iluministas de um médico seja mal contada, mas é no minimo tradicional, quadrada como os nobres que mostra. Difícil não imaginar que tenha caído nas graças de Leigh e suas histórias delineadas com seguranças, mas pouca ousadia. Pior é o premio para Mikkel Boe Folsgaard, que vive o jovem rei infantil e extravagante. Mais umas vez, boa interpretação realmente, mas mais para uma coadjuvante, já que o papel fundalmental é de Mads Mikkelsen. Comparado a escolha da atriz, chega a ser constrangedor. Este sim merecidissimo para a jovem (falamos de uma adolescente) Rachel Mwanza em Rebelle. Apontei aqui que seria um lindo prêmio e assim foi. Ela mal consegui agradecer de tao emocionada.
No mais, muito acertado o Grande Prêmio do Júri para o poderoso húngaro Just the Wind, e se considerarmos que a casa não poderia ficar sem nada, melhor que seja o de diretor para Christian Petzold, que com Barbara faz o filme mais afiado dos concorrentes alemães. Houve ainda uma menção especial para L’Enfant d’en Haut, filme franco-suiço de Ursula Meier. Leigh aproveitou e fez sua média conseguindo um Urso extra para a diretora Ursula Meier. Agora vou ver as coletivas dos premiados e faço meu balanço depois. Até.

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