Cultura

65 Festival de Berlim

O Vietnã agora

por — publicado 13/02/2015 16h41
Concorrente do país encerra competitiva com retrato de geração e sexualidade em abordagem jovem

A primeira hora de Big Father, Small Father and Other Stories, o título em inglês do filme do vietnamita Phan Dang Di, me pareceu muito irregular. O filme começa bem, com o retrato de uma família urbana pobre, mas com aquele ânimo e felicidade baseados na boa convivência, embora de estrutura um tanto disfuncional. Num casebre na beira de um rio, e não seria muito distante do nosso conceito de favela, vemos os jovens irmãos que recebem a visita do pai, que do seu barco vindo do interior desembarca com uma máquina fotográfica de presente ao filho mais novo, amador neste ofício e protagonista como veremos. De um rapaz atrelado a família, que servirá como antagonista, temos o lance dramático que levará o caçula a um interesse e paixão homossexual. É apenas uma das vertentes da história, que inclui ainda uma irmã que trabalha como dançarina num clube noturno, de propriedade daquele mesmo jovem atraente, a turma que enfrenta brigas com uma gangue etc. Dito assim, o painel se assemelha a um retrato geracional, da juventude atual do país, o que é real. Apenas que o diretor deseja trabalhar aspectos mais sutis e complexos dos personagens e suas angústias, e se vale para tanto dos elementos fundamentias da gênese humana, a terra, a água e o fogo, principalmente, e os aproxima de uma transformação da própria sociedade, que de agrária, dependente da floresta, tornou-se eminentemente urbana com a guerra. A proposta me pareceu me pareceu interessante muitas vezes, mas um tanto alongada, com vazios e soluções repetitivas. Perto do que vimos aqui, um filme para fruir em outra circunstância, e sem filmes tão provocativos ao lado.