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Cultura

71 Festival de Veneza

O caminho da conciliação

por — publicado 06/09/2014 16h54
Uma breve pensata sobre as escolhas de Veneza

Pode-se achar excêntrico, tanto quanto o filme de Roy Andersson que venceu o Leão de Ouro, o caminho escolhido pelo júri para esta premiação. Aliás, peculiar já é o próprio corpo de jurados, liderado por um músico, digamos, pop, Alexandre Desplat, e com poucos nomes relevantes, a destacar Elia Suleiman. Essa mistura quase sempre promove um ponto de vista, uma direção, e me parece que desta vez foi o da conciliação, entre filmes de obrigatório reconhecimento, caso de The Look of Silence e The Postman’s White Nights, e outros totalmente descartáveis, como Hungry Hearts, o momento italiano obrigatório da casa, representado pelo casal de atores. O filme de Saverio Constanzo é o pior da seleção da casa na competição, e por certo o trabalho de Elio Germano como Leopardi é muito melhor, enquanto a intérprete chinesa de 72 anos de Red Amnesia mereceria a láurea muito mais que a atriz tão presente nos filmes do país que já virou até piada.

Não se pode dizer que tenha sido uma premiação despropositada, e preferir Andersson indica que houve uma decisão de meio termo. Mas também houve coragem ao lembrar um filme muito controverso como Sivas, o drama turco sobre luta de caes no interior do país, em oposição a um trabalho irrelevante no iraniano Tales, melhor roteiro. Enfim, não foi feio, mas poderia ter sido muito mais impactante elevar a posição política de The Look of Silence, por exemplo.