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Cultura

Veneza e a surpresa do documentário

Leão de Ouro para Sacro GRA

por Orlando Margarido — publicado 07/09/2013 16h11, última modificação 09/09/2013 12h07
O presidente Bertolucci disse que queria se surpreender no ofício do júri, mas surpreendeu a todos com uma escolha questionável
AFP
Gianfranco Rosi

O diretor italiano Gianfranco Rosi ganhou o prêmio de melhor filme do Festival de Veneza

Aconteceu o inesperado, o que neste caso não é um sentimento positivo. Veneza trouxe dois documentários a sua edição de número 70, e isso sim é muito positivo. Um deles é do americano Errol Morris sobre o secretário de Defesa Donald Rumsfeld. O outro é o italiano Sacro GRA, de Gianfranco Rosi, que levou o prêmio máximo do festival, o Leão de Ouro. Vale tal honraria? Não, mas os jornalistas aqui presentes sabiam ser uma escolha complexa a deste ano, na medida em que não houve o grande filme, aquele que realmente surpreendesse a todos como queria Bertolucci. Assim, valia tudo, ou quase, dentro de um círculo apertado de variação.

O grande cineasta italiano preferiu pegar um desvio e arriscar, para usar uma linguagem bem a calhar ao filme de Rosi, sobre as pessoas que moram e gravitam na vizinhança do anel viário que circunda Roma. Interessante é. Contudo não a ponto de se sobrepor a outros concorrentes atraentes, como o grego Miss Violence, que ao menos foi reconhecido pela direção e pelo ótimo ator, ou mesmo Philomena, um filme clássico de Stephen Frears, no sentido de uma postura convencional ao contar sua história, mas muito simpático. Tanto que mereceu o melhor roteiro.

O presidente Bertolucci disse que o documentário de Rosi causou ótima impressão a todos logo de cara. Alguém perguntou na coletiva de imprensa há pouco por que não Morris e ele disse, entre brincadeira e sério, que se chegou a se pensar em premiar Rumsfeld como melhor ator. No mais, o júri não fez feio, especialmente lembrando Tsai Ming Liang pelo que este promete ser seu último filme, Stray Dogs. Entendo até o Prêmio Especial do Júri para o alemão A Mulher do Policial, por sua forma, digamos, particular, num drama contado em 59 breves capítulos.

Mas seguramente este grupo de jurados não entrará para a história de Veneza, esquecendo mais uma vez de um maestro como Gianni Amelio, num filme que deveria ter sido honrado com algum prêmio. Esquecimento similar ao que ocorreu com Bellocchio ano passado, fato mais escandaloso ainda. De fato, Veneza e o cinema italiano não querem mais saudar seus mestres. A seguir, a lista dos principais vencedores.

Leão de Ouro -- Sacro GRA, de Gianfranco Rosi

Grande Prêmio do Júri -- Stray Dogs, de Tsai Ming Liang

Prêmio de Melhor Diretor -- Alexandros Avranas, por Miss Violence

Prêmio de Melhor Ator -- Themis Panou, por Miss Violence

Prêmio de Melhor Atriz -- Elena Cotta, por Via Castellana Bandiera

Prêmio Marcello Mastroianni para um intérprete iniciante -- Tye Sheridan, por Joe (de David Gordon Green)

Prêmio de Melhor Roteiro -- Steve Coogan e Jeff Pope, por Philomena (de Stephen Frears)

Prêmio Especial do Júri -- A Mulher do Policial, de Philip Groning

Leone del Futuro - Opera Prima Luigi de Laurentis (melhor filme de estréia) -- White Shadow, de Noaz Deshe