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Hoje

por Orlando Margarido — publicado 10/02/2012 17h50, última modificação 10/02/2012 17h50

Caros, só de passagem para dar conta da correria de hoje. Perdi o primeiro filme da manhã na competição por conta da piora da minha gripe, ainda herança de Tiradentes. Resolvi dormir mais tempo e agora estou recuperado, ao menos razoavelmente para seguir a maratona. O resultado é que tive que apelar a assessora de imprensa do festival, a Frauke Greiner, com quem convivo no mesmo hotel em que me hospedo no Festival de Veneza, para conseguir um convite para a sessão oficial de Aujourd'hui, hoje em francês. É o concorrente africano para o Urso de Ouro. Senegalês para ser exato. A questão é que a sessão com a presença de diretores elenco e o público que frequenta o festival não conta com legendas em inglês, apenas o alemão da casa. Tudo bem nas partes em francês, que mesmo assim é por vezes duro de acompanhar, mas o problema é que há também diálogos no dialeto (se é que se diz dialeto no caso) e aí muita coisa se perdeu. Bem, mas consegui recuperar depois o fio da trama e´aí o filme se fez todo na minha cabeça. Ficou ainda melhor. Já havia gostado do tom fantástico tão inerente a essas tradições religiosas do negro africano, na história do jovem que fica sabendo que morrerá em breve. Passa, então, a visitar os amigos, conhecidos, a permanecer mais com a família. Não se sabe a razão da condenação, mas suponho que se possa usar isso um pouco como metáfora da banalidade da morte num continente com tantas situações de conflito como África. O filme é delicadissimo, atento a detalhes de expressões e gestos. Me lembrou em algo o também belo O Homem que Grita, de outro africano, desta vez nigeriano, Mahamat Salet Haroun.Espero que tenham visto em São Paulo.

Vi também na segunda sessão do dia o novo filme de Stephen Daldry, Extremely Loud and Incredibly Noise. Está fora de competição e sendo da Warner por certo estreará no Brasil. Mas estava curioso para saber como ele tratou numa das primeiras ficções feita o tema do 11 de setembro. Daldry é queridinho por aqui quando trouxe em 2008 O Leitor, com Kate Winslet, que se passa na Alemanha. Mas vocês também lembram dele pelo sucesso Billy Elliot, do garoto predestinado a dançar e que faz tudo pelo seu sonho. É um pouco isso que acontece com Oskar, o menino que perde seu pai no ataque das torres gêmeas. Ele é joalheiro, intepretado por Tom Hanks, mas estava no prédio para a reunião. O filme se dá na tentativa de Oskar em lidar com o acontecimento. Daldry apela, pode ter certeza. Quando acha uma chave misteriosa, Oscar sai a procura de onde ela se encaixa, a partir de um sobrenome do envelope. Passa a visitar todos os Black de Nova York. Tem seu encanto a homenagem do menino ao pai, mas o filme é por demais reiterativo, e no meio já havia me aborrecido bastante. E são mais de duas horas! Continuo preferindo dele a adaptação de As Horas. Bem, agora saio para mais uma sessão no Panorama, um filme do mexicano Rodrigo Pla, e depois mais lingua espanhola, com Dictado, este em competição. Ao menos me mantenho aquecido na neve que persiste por aqui. Até

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