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Grande Loach!

por Orlando Margarido — publicado 11/02/2013 17h22, última modificação 11/02/2013 17h22

Berlim – Acabei de chegar do filme seguido de debate de Ken Loach, The Spirit of`45. Não foi muito mais do que meia hora de conversa, mas o discurso de Loach é sempre tão cultivado e preciso que parece uma tese aprofundada. Sua visão do mundo e de cinema nós já conhecemos. Sempre há uma surpresa, no entanto, e esta vem no sentido de como o cineasta inglês une, neste documentário, o período difícil do pós-guerra em seu país com o momento mais recente de crise e transformações consequentes das decisões capitalistas tomadas lá atrás. Esse passado referido no título, o espírito de 1945, portanto logo depois do fim da Segunda Guerra Mundial, diz respeito ao momento no qual a Inglaterra teve que se reerguer em tudo, da falta de moradia ao serviço social de saúde. É a passagem de um governo de Churchill, que venceu a batalha contra o nazismo, para outra temporada como primeiro-ministro a partir de 1950. Loach resume o painel histórico de mudanças praticamente até os dias de hoje, da ascensão do Partido Trabalhista, da privatização em massa liderada por Tatcher e a perda de emprego de muitos trabalhadores, até a atual tentativa de uma nova geração de protestar contra os estragos da globalização. A pergunta que Loach faz, ou melhor, fez durante o debate e se estrutura no filme, é por que o senso coletivo que dominou a reconstrução do país lá atrás, agora não se estabelece mais. Ele, como sabemos, prefere não empreender respostas fáceis, mas nos cutuca com sua contestação, e talvez permaneça como o único diretor a faze-lo hoje. Espero que o documentário, ainda que específico da história inglesa, chegue por aí para vocês acompanharem a bela pesquisa de arquivo do filme, como um discurso raro de Churchill. Quem sabe o festival de Amir Labaki, o É Tudo Verdade, não homenageia este mestre.
Vou seguir daqui a pouco para a exibição oficial do filme de Richard Linklater, Before Midnight, pois perdi a sessão de imprensa hoje de manhã para entrevistar o diretor e a atriz de Gloria. O papo foi ótimo. Aqui é necessário fazer opções para dar conta do melhor da programação. Fica para depois também o comentário do ótimo romeno que vimos de manhã, no título em inglês Child’s Pose. Me lembrou em muito a situação, num contexto diverso, de A Separação. Depois explico. Até!

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