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Cultura

Festival de Cannes

Grand finale com Polanski

por Orlando Margarido — publicado 25/05/2013 10h07
Em Venus in Fur, há um sentido de dominação, de poder e humilhação. É um teatro dentro do filme
Venus in Fur, de Polanski
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Venus in Fur, de Polanski

Cannes – Poderia dizer que a competição acabou, e oficialmente sim com a exibição do ótimo filme de Roman Polanski. Mas não ainda para mim. Ontem fiquei de fora da sessão oficial de imprensa de Only Lovers Left Alive, de Jim Jarmusch, e vou recupera-lo daqui a pouco. Uma multidão queria conferir essa história de vampiros modernos, o que me passou pela cabeça enquanto estava assistindo a Polanski. Chama-se Venus in Fur , ou La Venus à La Fourrure, no titulo original francês, essa adaptação da peça de David Ives, que ele mesmo roteirizou para o cineasta franco-polonês. Há um sentido de dominação, de poder e humilhação que parece ligado ao vampirismo, mas claro que aqui a fonte é outra. É teatro dentro do filme, e não teatro filmado, a trama entre diretor e uma atriz que chega para uma audição com ele. O diretor é Mathieu Amalric. A atriz, Emmanuelle Seigner, mulher de Polanski.

Abro aqui para um breve comentário. Quando Polanski a lançou ninguém acreditava em seu talento. Mas Emmanuelle está maravilhosa em sua performance como “salope”, como dizem os franceses, a vagabunda, vulgar e burra. A peça que ela busca representar é inspirada no romance do austríaco Sacher-Masoch. De seu nome se originou o termo masoquismo. No palco do teatro, Vanda, a atriz, tem a réplica de Thomas, o personagem de Amalric.

Aos poucos, ambos encarnam os personagens e trocam de papéis, até Vanda dominar completamente e mostrar a que veio. É um grande duelo de atores e Polanski fala aqui em mais um huis clos de seus temas preferidos, como sexualidade, a moral contemporânea, o tom conservador que toma nosso tempo. Ele nunca foi tão explícito, como quando o diretor de Amalric condena uma comparação da atriz sobre a peça com a pedofilia. Tudo tem de ser ligado a alguma questão contemporânea, social, ele esbraveja.

Numa ótima e inspirada coletiva, o cineasta disse que hoje dar flores a uma mulher parece indecente. O sexo e a masculinização da mulher tomaram o cenário. Foi um grande encerramento este d competição e acho difícil que Polanski saia sem algum premio significativo. Ele não gostaria de ouvir isso, mas que seja pela questão política e moral que circunda seu escândalo internacional.

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