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Fipresci para Tabu!

por Orlando Margarido — publicado 18/02/2012 13h21, última modificação 18/02/2012 13h21

Berlim – Caros, acabei de sair da sessão de retrospectiva dos filmes de Lev Kuleschov e já me dirigia a Neue Gallerie para ver a exposição de Gerhard Richter quando resolvi dar uma parada na sala de imprensa para checar emails e os prêmios independentes anunciados. E não é que dei de cara com a decisão da Fipresci para Tabu, de Miguel Gomes? A Fipresci é a entidade internacional que congrega os críticos cinematográficos. Em cada festival, um grupo de representantes é escolhido, e aqui são nove os votantes. O prêmio do Panorama foi para L’Age Atomique, que já havia me chamado atenção pelo tema (juventude e noitada em Paris) e pelo nome. A diretora é Héléna Klotz, filha de Nicolas Klotz e Elisabeth Perceval, que tem parceria constantes em filmes como A Questão Humana e Low Life, exibido na última Mostra de São Paulo. Ontem peguei ingresso para tentar vê-lo hoje a noite, se as entrevistas dos ganhadores dos Ursos não atrasarem.
Estranhei o fato do anúncio da Fripesci já ter sido feito, pois nos quatros anos que venho a Berlinale isso acontecia por volta das 17h do sábado da premiação, numa galeria de arte contemporânea nos arredores do festival. Nem sempre a escolha da crítica significa um impacto na visão do júri oficial, mas é um caminho que pode coincidir. Eu e mais alguns jornalistas brasileiros não temos escondido nossa preferência pelo português – ainda que, como fizemos a piada, ele coloque um ator brasileiro para ser o corno da história – um pouco acima, ou na mesma faixa de Cesare Deve Morrire, dos Taviani. Mas não consigo sintonizar essas preferências com a cabeça de Mike Leigh e seu colegiado. Também espero que reconheçam algo em Rebelle, o forte drama da guerra civil no Congo, mas com espaço para poesia e o fantástico. Um premio para a jovem e estreante atriz, na verdade não profissional, seria bonito. Mas temos que considerar ao menos dois bons trabalhos de atrizes alemãs em Barbara e Home for the Weekend e a prata da casa nunca sai de mãos abanando. Vou parando por aqui pois marquei almoço com amigos, finalmente um tempo para relaxar e comer com calma, mas quero voltar depois aos filmes de Kuleschov, parte de uma retrospectiva chamada aqui de A Fábrica de Sonhos Vermelha. O soviético Kuleschov foi um teórico que influenciou Eisenstein e todo uma escola de montagem a partir de sua teoria do experimento, em que exercícios com atores os levava a terem diferentes reações a frente de uma mesma situação ou objeto, como tomar uma sopa por exemplo. Os filmes curtas e média-metragem que vi hoje davam conta da ilustração da garra e poder do comunismo segundo os ditames de Lenin. Mas são antes de tudo aulas de cinema. Até!

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