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Cultura

Berlinale

Fipresci para os jovens brasileiros e Resnais

por Orlando Margarido — publicado 14/02/2014 16h47, última modificação 05/04/2014 19h00
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro, é o preferido da crítica no Panorama, um contraponto interessante ao veterano francês, premiado da competição

Berlim -- Acabo de chegar do FilmHaus, a cinemateca alemã, onde todo ano acontece a cerimônia da Fipresci, o júri da critica internacional que se reúne nos festivais, a cada um com um grupo diferente. E o nosso Daniel Ribeiro, em seu primeiro longa-metragem, foi o escolhido como o mellhor da seção Panorama. Já comentei brevemente que gostei muito de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, que não é apenas uma noção mais larga do curta-metragem do diretor com mesmo tema e elenco, e sim um filme com estatura e vida própria. Daniel e seus dois jovens atores masculinos, intérpretes dos adolescentes em descobertas do amor e sexualidade, e entenda-se homossexualidade, estavam rindo à toa e sairiam de lá diretamente para o Teddy Bear, o prêmio voltado ao cinema gay. Vão entregar algum prêmio, mas será que também vão levar o seu para casa?

Ficaria satisfeito com o reconhecimento de qualquer de um dos filmes, este ou O Homem das Multidões, quando amanhã forem reveladas as escolhas do júri oficial. Mas ver esses garotos galgando seus primeiros passos aqui na Berlinale é sempre emocionante. Menos talvez que saber da preferência do júri Fipresci por Aimer, Boire et Chanter, ou Life of Riley no título internacional, de Alain Resnais. Havia filmes mais empolgantes, numa seleção fraca é verdade, do que este Resnais menos inspirado, cansado um tanto na forma, mas ainda com um espírito que não trai a recente obra do mestre. Mas se Michel Ciment, o crítico da Positif e presidente do júri gostou muito do filme de Ribeiro, pelo que me dizem, no caso de Resnais me parece querer saudar o mestre já debilitado pela saúde. E, portanto, sempre com a possibilidade de não mais filmar. O cineasta se poupou de vir a Berlim. Sua trupe, quatro atores, veio lhe representar. Inclusive a musa e mulher Sabine Azéma. Na agenda agitada por aqui, nem comentei que entrevistei todos para ouvi-los falar do diretor e foi muito bacana. Ele conta com uma elenco fiel e admirador de seu estilo, e isso faz toda a diferença.

A Fipresci, neste caso, não buscou o frescor, a originalidade, mesmo que difícil nesta seleção, como já disse anteriormente. Havia sim outras opções. O prêmio da Fipresci, não raro, antecipa o vencedor do prêmio principal, no caso aqui o Urso de Ouro. Mas desta vez espero que não coincida. Na cotação da revista Screen, que publica uma edição especial diária durante a Berlinale, o filme de Linklater sai disparado na frente, na visão de jornalistas de vários países. Era esperado e não deixa de ser merecido, mas não se pode exigir do filme a postura original. Esta se encontra na realização do projeto de mais de dez anos. Em seguida está Stations of the Cross, filme alemão sobre o radicalismo religioso, que traz na forma rigorosa e boas atuações sua força.Logo atrás esta 71, o filme sobre o conflito de jovem britânico com o IRA. O filme de Karim tem uma cotação apenas média.

Os críticos da Fipresci também fazem sua escolha no Forum, e a preferência foi por Forma, de Ayumi Sakamoto.

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