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Cultura

65 Festival de Berlim

Fipresci foi de Panahi

por Orlando Margarido — publicado 13/02/2015 16h20, última modificação 15/05/2015 17h22
Táxi, com o diretor ao volante de um precioso retrato do Irã e de sua condição de censura, é uma escolha defensável dos críticos, mas também decepcionante

Acabei de chegar da cerimônia oficial da Fipresci, a federação internacional dos críticos de cinema, que em diferentes festivais do mundo organiza um comitê de jurados. No caso de Berlim, o grupo escolhe os preferidos da competição oficial e da paralelas Panorama e Forum. Sem brasileiros desta vez entre os vencedores, ao contrário do ano passado em que Eu Quero Voltar Sozinho ganhou seu primeiro reconhecimento entre a crítica, para depois ser o preferido do júri e merecer um honroso segundo lugar entre o público do Panorama. E o longa de Panahi foi o escolhido na oficial, um voto decente, sem dúvida. E não bastasse, o Irã ainda levou também no Panorama, com A Minor Leap Down, de Hamed Rajabi. Mas o prêmio para Panahi tem cara de conciliação entre outros concorrentes com muito mais apelo, apesar de deter alguma controvérsia, e de levar em conta a situação de degredo de Panahi.

Esta é uma questão, diga-se. O filme é bom por si só, muito bom diria, mas me parece que estamos diante de uma seleção oficial com ótimas opções, e eu não saberia de pronto quem apontar entre os meus preferidos. Guzmán? Larrain? e são dois chilenos... ou Aleksey German Jr. com seu retrato poderoso e distópico de uma Rússia em ruínas? Cada vez cresce mais para mim Vergine Giurata, o italiano, e a boa conversa hoje com a diretora Laura Bispuri só fez crescer a situação dramática do filme já tão complexa. Mas seria uma discussão muito mais profunda, creio, se estivesse entre colegas na votação, do que embarcar no táxi de Panahi. O prêmio Fipresci nos grandes festivais que acompanho, aqui, Cannes e Veneza, costuma antecipar um pouco do caminho que deverá seguir o júri oficial. Nâo creio que o colegiado de Darren Aronofsky, com o manda chuva da Berlinale Dieter Koslick por perto, faça uma desfeita a Panahi, considerando a tradição política e engajada do festival.Mas espero sinceramente que não seja dele um dos premios mais importantes, nem pensar o Urso de Ouro, ou de Prata, como diretor.

Para complementar a Fipresci: no Forum, o escolhido foi Il Gesto delle Mani, de Francesco Clerici, documentário italiano que dá conta da feitura e importância da escultura na história do país. Parece ambicioso, e uma amiga mexicana me assegurou que é belissimo. Vou tentar recuperar para contar mais, ou será o caso de Amir Labaki tentar levar o filme ao É Tudo Verdade.