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Cultura

E Gilliam viaja, viaja...

por — publicado 02/09/2013 13h04
The Zero Theorem é um epilogo aborrecido a uma trilogia iniciada com Brazil

Só uma passada rápida pelo blog porque daqui a pouco já tenho sessão. Hoje de manhã vimos em competição o novo Terry Gilliam, The Zero Theorem. Com o estilo habitual do cineasta de um futuro retrô, ou seja, uma mistura entre futuro e passado como ele mesmo explica, trata de um ser recriado (Christophe Waltz), que tem o hábito de se dirigir a si mesmo na primeira pessoa do plural e é comandado por uma grande corporação. Metafora óbvia do corporativismo atual e de como ele reduz as pessoas a robôs de tarefas repetitivas e sem imaginação. Passada a primeira meia hora de um, digamos, conflito, fica tudo muito igual e aborrecido, como se Gilliam fosse ele mesmo reduzido a uma repetição de seus tiques cinematográficos. Bonito de se ver, inspirado com algumas boas piadas, mas no geral muito aborrecido. O próprio Gilliam reconheceu que se saiu melhor com Brazil, inicio da trilogia que termina com este ponto final menos ousado. Teve gente que achou o mesmo do novo Xavier Dolan, Tom a la Ferme, mas eu gostei da trama de situação misteriosa, personagens estranhos, quando o Tom do título, interpretado pelo próprio Dolan, vai ao campo para o velório do antigo companheiro. A mãe, proprietária da fazenda, não sabe da homossexualidade do filho morto, o que o irmão ajuda a esconder promovendo uma falsa namorada para o rapaz. Forma-se uma relaçao complexa entre Tom e o irmao do companheiro, e claro, pinta um clima entre ambos que nunca se confirmará. O canadense (frances) Dolan tem seu estilo peculiar, é mesmo pegar ou largar. Eu continuo a encontrar boas motivações para encarar seu cinema.