Cultura

Festival de Veneza

De volta ao Lido

por — publicado 28/08/2013 13h09, última modificação 28/08/2013 14h39
Começa a 70 ediçao do evento de cinema mais antigo do mundo

Veneza -- Caros, estou mais uma vez na ilha do Lido para a cobertura do festival que me é mais querido. Desta vez chego um tanto avariado. Minha mala desapareceu e ainda a estão rastreando. O susto é que normalmente, com todo o sistema interligado entre os aeroportos do mundo, logo se descobre onde a bagagem está e a mandam no voo seguinte. Se cheguei ontem, hoje já deveria haver noticia e até agora nada. Será um grande prejuízo, claro, se ficar sem minha provisão de quase um mês de roupa, pois daqui sigo para o Festival de Brasília, que começa dia 17 de setembro. Mas vou tentar manter o humor. Avaria mesmo sofrem Sandra Bullock e George Clooney no espaço. Falo do filme Gravity, que abriu hoje a mostra veneziana, fora de competição. O diretor é o mexicano Alfonso Cuarón, que vocês vão lembrar do ótimo E Sua Mãe Também e de um dos episódios da série Harry Potter. Não sei como se chamou no Brasil Children of Men, também levado no futuro em formato de ficção científica. O realizador anda afeito ao gênero, pois agora seus protagonistas sao astronautas numa nave de pesquisa, ou melhor, Clooney é o astronauta, enquanto Bullock uma médica. Vem uma explosão em algum outro canto da órbita e eles são atingidos por fragmentos, ficando a deriva. Parece um roteiro de ação comum, mas junto com o 3D o espetáculo faz toda a diferença e diverte. Não há muito mais que isso, boa tensão e realização, com os clichês habituais. Depois da sessão houve o costumeiro auê em torno dos astros, com jornalistas tietando abertamente Clooney, e este cínico como sempre defendendo as boas causas, quando encontra no filme, pelas quais também se notabilizou.

Mas o que também gosto de Veneza é conhecer ou reencontrar antigos filmes que por vezes não chegam com o pacote de requinte daqui. Ontem tentamos um programa destes, eu, Luiz Zanin e Neusa Barbosa. Todo ano, o festival realiza na Arena San Polo, um largo na Veneza histórica,a projeção de um clássico italiano. O escolhido desta vez foi Le Mani sulla Cittá, do mestre Francesco Rosi. Como o evento acontece a céu aberto, fica se sujeito a vontade do tempo. E eis que choveu muito, o que nunca havia acontecido desde que frequento a mostra. Não conseguimos ficar e fomos jantar. Na volta, uma rapida olhada, e a confirmação de uma belissima cópia nova. Ainda há sessões previstas e vou tentar rever esse drama critico da especulação imobiliaria na Nápoles dos anos 60, cenário de corrupção e influência da máfia. Até lá vou trazendo aqui diariamente as novidades do festival, este ano com diretores mais novatos, alguns mesmos estreantes, mas outros bem veteranos, como William Friedkin, que receberá o Leão de Ouro da carreira. Na competição estão Stephen Frears, Amos Gitai, Gianni Amelio, de quem há muito não vemos nada. E as homenagens também sao boas, de Ettore Scola a Federico Fellini num documentário sobre o realizador e de Wajda a Lech Walesa. Já marquei minha conversa com o mestre polonês e informo vocês, claro. Até!

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