Sem categoria

Aos documentários!

por Orlando Margarido — publicado 05/04/2013 19h58, última modificação 05/04/2013 19h58

Caros, começa hoje para o público a 18ª edição do É Tudo Verdade. Procurarei atualizar por aqui os filmes da programação, ao menos a parte dela que conseguir acompanhar, eme meio aos demais compromissos. Ontem a abertura oficial aconteceu com o documentário dedicado a Paulo Moura, um bonito trabalho de Eduardo Escorel. Vou escrever sobre ele, mas por enquanto deixo aqui a matéria geral do festival que fiz para a Carta Capital.

Onde o cinema começa

Retrospectiva reforça pioneirismo do russo Dziga Vertov

É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários
Quinta (4) a 14 de abril, Cine Livraria Cultura, CCBB, Reserva Cultural, MIS e Cinemateca Brasileira

No pôster que anuncia sua 18ª edição, o festival internacional de documentários É Tudo Verdade lança mão da arte gráfica da vanguarda russa para nos remeter a urbe, aos seus ocupantes e, afinal, ao olho que tudo vê. Evidente introdução ao grande homenageado na retrospectiva deste ano, o pioneiro russo Dziga Vertov (1895-1954). Nada pode começar a ser revisto no cinema documental, ou no cinema como um todo, sabe o diretor do evento Amir Labaki, sem que se passe pela produção icônica do idealizador do chamado cinema-olho, o Kinoglaz, e o cinema-verdade, o Kino-Pravda. Entre quinta (4) e 14 de abril, sete longas-metragens do diretor e um programa de curtas serão exibidos em meio aos 82 títulos de 26 países da programação geral, que também acontece no Rio de Janeiro, Brasília e Campinas.
Procedentes do Austrian Film Museum, que preserva o maior acervo de Vertov, as raras cópias em 35 milímetros trazem novidades na montagem e melhor compreensão do seu método. Cineasta da propaganda soviética, o russo não se deixou conter pela imagem burocrática, e experimentou, como no clássico O Homem da Câmera de Filmar (1929), também conhecido como Um Homem com uma Câmera, no qual solta a máquina e seu olho para captar o fulgurante cotidiano na metrópole, ou no dizer do crítico Jean Tulard, a vida ao vivo transformada em sinfonia visual. Vertov pode ser por demais engajado como em O Décimo Primeiro Ano (1928), mas também sensível e lírico em Entusiasmo (1930), em que acrescenta a noção ouvido-rádio a sua escola autoral, arrebatado pelo construtivismo que o cercava.
No recorte contemporâneo, o festival passa, em grande parte, dessa apreensão de um período histórico de uma nação ao foco intimista, pessoal. Temos assim, na competição internacional, um estudo sobre o diretor teatral André Gregory, personagem de Louis Malle em Meu Jantar com André, em Antes e Depois do Jantar, de Cindy Kleine, também da reclusa pianista argentina Martha Argerich por sua caçula em Filha Problema, e por fim em Nosso Nixon, material inédito sobre o presidente colhido por Penny Lane.
A seleção nacional faz jus ao formato com Ozualdo Candeias e o Cinema, de Eugênio Puppo, e O Universo Graciliano, de Sylvio Back, sobre o escritor Graciliano Ramos. São merecedoras de uma seção especial as discussões sobre a obra-prima de Ingmar Bergman em Fanny, Alexander e Eu, do crítico Stig Björkman, e a literatura em Philip Roth, Sem Complexos, de William Karel e Livia Marena. Empolgante, garante Labaki, é ainda Os Capitães, do ator William Shatner, que busca os seus sucessores na série Jornada nas Estrelas.

registrado em: