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Agora, ibero

por Orlando Margarido — publicado 02/06/2012 20h38, última modificação 02/06/2012 20h39

Fortaleza -- Caros, a referência de origem desse post não é confusão mental sob impacto do jet leg. Estou sim na capital cearense para cobrir o 22º CineCeará depois de passar alguns dias em Paris para me recuperar da loucura boa que é Cannes. Trabalhei um pouco em Paris para fazer o balanço do festival. Está na edição impressa da Carta Capital nas bancas, vejam lá. Mas também fui a boas mostras como uma retrospectiva extensiva e completissima do cartunista Robert Crumb e consegui tempo para assistir a dois filmes. Vi em cópia nova zero bala Vagas Estrelas da Ursa Maior, que na França se chama Sandra, o nome da personagem de Claudia Cardinale. Bem, um Visconti de primeirissima, como vocês devem saber. Cinema refinado e marcado pela sombra da mitologia, que aqui une os dois irmãos em paixão incestuosa, ela, Sandra, e ele, Gianni, o belo Jean Sorel, de familia burguesa da pequena Volterra, na Itália. Deve ser o melhor papel, embora em O Leopardo ela se supera na fama, de Cardinale, ao mesmo tempo sedutora e um pouco vulgar. E, claro, ver esses classicos nos pequenos cinemas do Quartier Latin tem um charme a mais. Depois, eu e Luis Carlos Merten do Estadao, fomos recuperar o vencedor da Camera D'Or em Cannes, Beasts of the Southern Wild, que já havia sido carimbado por Sundance. Embora não tenha visto os demais concorrentes ao troféu de primeiro filme, achei merecida a escolha do juri de Cacá Diegues. Numa região pantanosa dos sul dos Estados Unidos, uma menina criada pelo pai tenta entender o horror que a circunda, a dureza e o desprezo do pai com ela, e a hostilidade da propria natureza quando uma enchente anual destroi tudo em volta, ao mesmo tempoque da de comer aos moradores. Fiquei impactado e fazia tempo que um filme não me deixava tao irriquieto na cadeira. Quanto sofrimento, mas também beleza nas fantasias daquela menina. Pensei orque um filme deste nao alcança a competição oficial, até porque tem qualidades maiores do que a maioria dos filmes americanos que vimos. Inclusive se assemelha a Mud em certos aspectos.

Falei de Sundance e quero lembrar que Violeta se fue a los cielos também saiu premiado do festival independente de Robert Redford. Estréia dia 7 em São Paulo e Rio como Violeta que foi a ao céu. Pois o belo filme de Andrés Wood abriu ontem aqui o CineCeará no antigo e renovado Theatro José de Alencar. Que encanto o filme e que atriz é Francisca Gavilán, que vive a intérprte de genio intrepido. Violeta Parra se matou em 1967. Nasceu pobre, passou por desafios inacreditáveis para sobreviver e tornou-se um mito tao incensado quanto indesejado no Chile. Wood segue de maneira ficcional sua infancia, juventude e influencia até os 50 anos. A coletiva hoje foi muito esclarecedora deste mito latino-americano que talvez não lembremos tanto quando mereceria. Depois conversei com Wood, que vocês conhecem de Machuca. Este foi um sucesso de bilheteria no país, 700 mil espectadores. Violeta... já fez quase 500 mil. Wood grante que a nova geração recuperou a cantora e compositora. O filme deve se alimentar disso mas também dá muito em troca. Vou detalhar mais da nossa conversa na Carta e depois aqui. Enquanto isso podem acompanhar a cobertura da competição do festival, que é ibero-americano, aqui no blog, Até.