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Política

Apocalipse?

Estadão e O Globo: Celso de Mello mudará a vida dos nossos netos

por Lino Bocchini — publicado 17/09/2013 14h05, última modificação 17/09/2013 14h06
Jornalões alertam: ou o ministro Celso de Mello vota “corretamente” nesta quarta-feira ou o Brasil vira uma Venezuela, as próximas gerações estarão perdidas e acaba a democracia.
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Jabor: "Comecei a escrever este artigo e parei. Minhas mãos tremiam de medo diante da gravidade do assunto. Parei. Tomei um calmante e recomecei."

Calmante para aguentar escrever, ameaça de virarmos “uma Venezuela”; a história do Brasil vai mudar; fim da democracia; futuro das próximas gerações em jogo... As páginas de opinião dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo desta terça-feira são bom material para estudos acadêmicos ou, ao menos, para um rico debate em faculdades de comunicação. Arnaldo Jabor está nos dois, falando do calmante e outras coisas mais. Além dele, O Globo traz outros 3 textos defendendo que Celso de Mello vote contra os réus do chamado “mensalão”, e o Estadão publica um editorial assinado por Fernão Lara Mesquita, na mesma linha. Breves extratos:

 

“Amanhã, o Brasil muda”, por Arnaldo Jabor no Estadão e O Globo

“Comecei a escrever este artigo e parei. Minhas mãos tremiam de medo diante da gravidade do assunto. Parei. Tomei um calmante e recomecei. (...)

Amanhã, Celso de Mello estará nos julgando a todos; julgará o país e o próprio Supremo. (...)

Já imaginaram a euforia dos criminosos condenados e as portas todas abertas para os que roubam e roubarão em todos os tempos? Vai ser uma festa da uva. (...)

Há sim um forte desejo de ferrar o Joaquim Barbosa, por inveja da fama que conquistou. (...)

E afirmo (com arrogância de profeta) que amanhã o Celso de Mello, com sua impecável “consciência individual”, vai votar “sim” pelos embargos. Será a vitória para os bolcheviques e corruptos lobistas. O.k., Dirceu, você venceu.”

 

“Em jogo a credibilidade da Justiça”, editorial de O Globo

“Julgar preocupado com as multidões não é função do Judiciário. A América Latina reúne histórias de crises institucionais derivadas do populismo jurisdicional, seguido para agradar as massas. Mas não é este o caso do mensalão”.

 

“O STF não pode perder o juízo”, por Rodrigo Constantino, presidente do Instituto Liberal, em O Globo

“Os ministros estão cansados do caso do mensalão? Imaginem o povo brasileiro! Ao menos aqueles que leem jornais, acompanham o noticiário e sabem que o caso foi uma nefasta tentativa de golpe na democracia. (...)

O STF, agora, está a um dia e um voto de fazer história. Ou teremos o escárnio, a desesperança e a revolta popular, ou podemos dar um importante passo rumo à construção de uma democracia mais sólida, uma República mais robusta. É um peso grande que jogaram nos ombros do ministro Celso de Mello, o decano da instituição. (...)

A Corte Suprema ainda goza de credibilidade perante o povo, apesar de uns dois ou três petistas disfarçados de ministros.  (...)

O STF não pode perder o juízo. Vamos dar um passo na direção da Venezuela, ou na direção contrária? Amanhã terá festa de Dirceu, ou comemoração dos brasileiros honrados?”

 

“A quem interessa?”, Merval Pereira em O Globo

“Se os veredictos forem alterados com os votos dos novos ministros, (...) será inevitável a percepção de que manobras na formação do plenário foram realizadas para beneficiar os condenados.”

 

“A última chance”, por Fernão Lara Mesquita, do conselho administrativo do Estadão

“A questão que se discute, (...) não diz respeito apenas ao destino dos réus do mensalão. É a reedição tardia de uma disputa multissecular entre alternativas antagônicas e excludentes entre si, uma das quais mantém desimpedido o caminho que conduz à democracia plena e a outra que torna impossível continuar a percorrê-lo.

A decisão de amanhã, que fará jurisprudência, balizará a vida das próximas gerações de brasileiros.”

“Podemos ver revigorada a esperança de ingressar na modernidade e sonhar com a democracia e a consagração do mérito, ou continuar condenados a percorrer o círculo do absurdo no qual os dados da realidade, o senso comum e a razão não são admitidos como instrumentos bastantes para dirimir controvérsias, o que torna dispensável a educação e consagra o amiguismo e a esperteza, que conduzem necessariamente ao conchavo e à corrupção, como as únicas condições necessárias para o sucesso.”

 

Estando correto o alerta de Fernão Mesquita, Jabor, Merval & cia, meu filho, hoje com 2 anos, em 2047 irá se virar para meu neto e lamentar: “Puxa, moramos em uma Venezuela, não temos democracia ou esperança e, veja só, tudo isso porque o Celso de Mello votou a favor dos embargos infringentes no julgamento do mensalão lá em 2013...”.