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Justiça

As novas Satiagrahas

por Leandro Fortes — publicado 15/05/2012 12h38, última modificação 15/05/2012 12h38

A tática da Procuradoria Geral da República, agora, é a de desqualificar a Polícia Federal, ou seja, a mesma utilizada por Gilmar Mendes, no STF, e a mídia na Operação Satiagraha, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas. De certa forma, as operações Las Vegas e Monte Carlo, ao expor as vísceras das ligações criminosas entre Carlinhos Cachoeira e o Estado, sem falar na imprensa, serviram para mostrar o quão a foi pernicioso para a sociedade brasileira aquele movimento contra a Satigraha. Vale lembrar que na base daquela estratégia estava o falso grampo publicado pela Veja, de uma ligação fantasiosa entre Mendes e Demóstenes Torres, então ídolo e “mosqueteiro da ética” da velha mídia nacional.

O procurador-geral Roberto Gurgel e a mulher dele, a subprocuradora Cláudia Sampaio, têm o dever de ir à CPI do Cachoeira para dar explicações ao país. E a CPI deve essa medida ao Estado brasileiro. O casal 20 da PGR, simplesmente, não consegue se explicar. Os delegados da PF estão desmentindo essa história da subprocuradora de que eles teriam pedido o arquivamento da Operação Las Vegas. Isso não faz nenhum sentido. Está óbvio, inclusive para a oposição, que a operação foi escondida deliberadamente por três anos – e qualquer mentecapto é capaz de deduzir o porquê.

Chamar os críticos de sua atuação de “mensaleiros” tinha sido, até agora, a única opção de defesa de Gurgel, uma tentativa esperta de buscar o manto protetor de uma mídia apavorada com a possibilidade de o promotor do mensalão chegar ao STF com fama de prevaricador. Essa nova ofensiva, agora contra a PF, é só a repetição de uma farsa.

O Brasil não merece isso, muito menos vindo do chefe do Ministério Público Federal.