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Ex-diretor do Theatro Municipal de SP tem bens bloqueados pela Justiça

por Henrique Beirangê publicado 15/02/2016 13h39, última modificação 15/02/2016 17h44
José Luiz Herência teria usado laranjas para ocultar patrimônio oriundo de desvios na prefeitura
Garapa Coletivo Multimídia / Wikimedia Commons
José Luiz Herencia

José Luiz Herencia teria escondido patrimônio no nome da mãe e de uma ex-namorada

A Justiça determinou o sequestro dos bens do ex-diretor do Theatro Municipal de São Paulo José Luiz Herencia, suspeito de corrupção e lavagem de dinheiro. De acordo com a investigação do Grupo Especial de Delitos Econômicos do Ministério Público de São Paulo, Herencia fez uso dos nomes da mãe e de uma ex-namorada para ocultar patrimônio oriundo de contratos fraudados com a prefeitura de São Paulo.

Apesar de ter uma renda de 11 mil reais por mês, o ex-diretor do teatro adquiriu um apartamento de 5 milhões de reais, além de um outro apartamento em Higienópolis, área nobre da capital paulista, mantendo uma vida incompatível com sua renda.

O MP pediu o sequestro de carros de luxo como uma Land Rover Discovery, uma Mercedes Benz C280, além de um Mini Cooper e um Citroen Picasso C4. Os promotores apontam que, em apenas seis meses, entre janeiro e junho de 2014, Herencia teria movimentado cerca de 2,8 milhões de reais.

As contas da mãe do investigado, que seria usada como laranja, movimentaram outros 3,5 milhões de reais. Parte desse dinheiro teria vindo de pagamentos de empresas com contratos com a administração municipal.  

Uma das fontes de recursos que abasteceram a conta de Herencia veio da Midiamental Produções Artísticas Ltda. A empresa foi contratada pela prefeitura paulista no valor de 589 mil reais e repassou 356 mil reais para o ex-diretor. Uma outra empresa pertencente a um ex-funcionário do Theatro Municipal, a Bruno Soares Produção Cultural, repassou às contas de mãe de Herencia outros 279 mil reais.

Em interceptações telefônicas dos envolvidos, os investigadores apuraram que Herencia estaria tentando se desfazer de parte do patrimônio. Segundo o juiz Paulo de Abreu Lorenzino, "há fortes evidências de que estão sendo realizadas manobras de dispersão do patrimônio adquirido pelos investigados com o proveito das supostas empreitadas ilícitas, inclusive em nome de Gabriela e Silva, as quais outorgaram procurações a José Herencia para a compra e venda de imóveis”.

A investigação foi iniciada pela Controladoria Geral do Município de São Paulo em parceria com o MP. Após ser informado das irregularidades, o prefeito Fernando Haddad (PT) determinou que Herencia fosse demitido, mas oficialmente ele pediu exoneração em novembro do ano passado.

Em dezembro, foram realizadas buscas e apreensão nos imóveis de Herencia. Em entrevista no final do ano passado Herencia se defendeu dizendo que “isso é carnaval, exagerado”.