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Política

Operação Lava Jato

Por que o PP tem o maior número de investigados?

por Rodrigo Martins publicado 07/03/2015 12h48, última modificação 07/03/2015 13h24
Janot lastreou boa parte de suas petições com os depoimentos de Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da Petrobras por indicação do PP
Antonio Cruz / Agência Brasil
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Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras

O Partido Progressista é a sigla com o maior número de políticos investigados pela Operação Lava a Jato. Ao todo, são alvos de inquéritos três senadores, 18 deputados e 11 ex-parlamentares, número muito superior ao de petistas e peemedebistas investigados. A aparente distorção decorre, porém, de uma circunstância do processo investigatório.

As petições do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, estão fortemente lastreadas nas revelações feitas por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, um dos primeiros a assinar um acordo de delação premiada. E Costa ocupou o cargo na estatal petrolífera, de 2004 a 2012, por indicação do PP de José Janene e posterior o apoio de caciques do PMDB.

O Ministério Público Federal afirma que a divisão política das diretorias da Petrobras era estabelecida da seguinte forma:

Diretoria de Abastecimento – Ocupada por Paulo Roberto Costa, tinha como operador financeiro o doleiro Alberto Youssef, e de lá sairiam propinas para abastecer políticos do PP e do PMDB;

Diretoria de Serviços – Ocupada por Renato Duque entre 2003 e 2012, por indicação do PT, sendo o tesoureiro do partido, João Vaccari, responsável pela distribuição dos valores;

Diretoria Internacional – Ocupada por Nestor Cerveró entre 2003 e 2008, por indicação do PMDB, com a mediação do lobista Fernando Baiano.

Renato Duque ainda permanece em silêncio, mas dois de seus colaboradores começaram a falar com o Ministério Público Federal. Pedro José Barusco Filho, ex-gerente de engenharia da Petrobras, assinou um acordo de delação premiada no fim do ano, e estima que o PT tenha recebido entre 150 milhões e 200 milhões de dólares de 2003 a 2013. A propina teria como origem 90 grandes contratos da Petrobras, como o da refinaria Abreu e Lima, em construção em Pernambuco.

Outro agente que concordou em colaborar em fevereiro deste ano é o consultor Shinko Nakandakari, apontado por Barusco como intermediário de Renato Duque na negociação de contratos da Petrobras que somam 4,3 bilhões de reais. Nakandakari trabalhou durante 16 anos na construtora Odebrecht e é considerado peça importante na montagem do quebra-cabeça do esquema comandado por Duque. 

Na medida em que suas revelações tomarem corpo, pode haver novos nomes investigados pela Lava a Jato.

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