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Política

Eleições 2014

Presidente do partido de Marina declara apoio a Dilma

por Reda — publicado 12/10/2014 10h30, última modificação 13/10/2014 09h46
Roberto Amaral diz que apoio a tucanos já se traduz em negociação por cargos e é traição a ideais socialistas do PSB
Valter Campanato/Agência Brasil
Roberto Amaral

Roberto Amaral abraça Aécio Neves em cerimônia que selou apoio do partido ao tucano

Botão Eleições 2014Roberto Amaral, presidente nacional do PSB (e colunista de CartaCapital), divulgou neste sábado 11 carta em que critica a decisão dos correligionários em apoiar Aécio Neves (PSDB) no segundo turno. O líder do partido que abriga Marina Silva afirma que a manobra visa cargos e que ministérios já estão sendo negociados.

O ex-ministro de Ciência e Tecnologia foi contra à decisão do seu partido e declarou seu apoio pessoal a candidatura à reeleição de Dilma Rousseff. Nesta semana, ele próprio esteve presente na cerimônia que coroou o apoio dos socialistas ao tucano como presidente do partido. "Ao aliar-se acriticamente à candidatura Aécio Neves, o bloco que hoje controla o partido, porém,  renega compromissos programáticos e estatutários, suspende o debate sobre o futuro do Brasil, joga no lixo o legado de seus fundadores – entre os quais me incluo – e menospreza o árduo esforço de construção de uma resistência de esquerda, socialista e democrática". diz o texto.

Assim como Eduardo Campos, que era o candidato pela legenda e morreu durante a campanha em um acidente aéreo, Amaral participou dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma. Jornalista, ele foi nomeado presidente do PSB em substituição a Campos.

A escolha pela campanha tucana é considerada por ele uma traição feita pela ala do partido que chegou com Marina Silva. "Esse caminhar tortuoso contradiz a oposição que o Partido sustentou ao longo do período de políticas neoliberais e desconhece sua própria contribuição nos últimos anos, quando, sob os governos Lula dirigiu de forma renovadora a política de ciência e tecnologia do Brasil e, na administração Dilma Rousseff, ocupou o Ministério da Integração Nacional."

Na carta, Amaral diz ainda que a "velha política" criticada por Marina está em prática nos bastidores e pauta o apoio ao tucano. "Como honrar o legado do PSB optando pelo polo mais atrasado? Em momento crucial para o futuro do país, o debate interno do PSB restringiu-se à disputa rastaquera dos que buscam sinecuras e recompensas nos desvãos do Estado. Nas ante-salas de nossa sede em Brasília já se escolhem os ministros que o PSB ocuparia num eventual governo tucano. A tragédia do PT e de outros partidos a caminho da descaracterização ideológica não serviu de lição: nenhuma agremiação política pode prescindir da primazia do debate programático sério e aprofundado. Quem não aprende com a História condena-se a errar seguidamente."

Ao final da carta, declara seu voto: "Recebi com bons modos a visita do candidato escolhido pela nova maioria. Cumprido o papel a que as circunstâncias me constrangeram, sinto-me livre para lutar pelo Brasil com o qual os brasileiros sonhamos, convencido de que o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff é, neste momento, a única alternativa para a esquerda socialista e democrática. Sem declinar das nossas diferenças, que nos colocaram em campanhas distintas no primeiro turno, o apoio a Dilma representa mais avanços e menos retrocessos, ou seja, é, nas atuais circunstâncias, a que mais contribui na direção do resgate de dívidas históricas com seu próprio povo, como também de sua inserção tão autônoma quanto possível no cenário global."