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Política

Eleições 2014

Tarso Genro recebe enxurrada de críticas em debate com candidatos ao governo gaúcho

por Redação — publicado 28/08/2014 21h15, última modificação 29/08/2014 01h20
Além do governador do Rio Grande do Sul, encontro reuniu Ana Amélia Lemos, João Carlos Rodrigues, Vieira da Cunha, José Ivo Sartori e Roberto Robaina
Agência Senado/ Palácio Piratini

No primeiro debate entre candidatos ao governo do Rio Grande do Sul, nesta quinta-feira 28, o governador Tarso Genro (PT) foi criticado por todos os seus rivais na disputa. Enquanto a candidata mais bem posicionada nas pesquisas de intenção de voto, Ana Amélia Lemos (PP) criticou o inchaço da máquina do Estado, dizendo que falta "ação política mais firme por parte do governador", José Ivo Sartori (PMDB) condenou a falta de protagonismo do governo atual em renegociar a dívida do estado. "Se o governo quisesse lutar por reforma tributária, já teria feito essa reforma e não fez", disse no primeiro bloco.

O governador buscou diminuir as observações feitas por seus adversários ao dizer que ambos depreciam o "feito de ter diminuído a dívida de 15 bilhões de reais". "Os partidos dos candidatos são responsáveis pela situação financeira que o Rio Grande do Sul enfrenta hoje. O governo anterior não tinha se quer condições de se comunicar, porque era um governo fechado, paroquial."

A ex-senadora Ana Amélia teve de comentar as declarações do presidenciável Aécio Neves (PSDB) - de sua coalizão - a respeito do "amadorismo" da candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva. A ex-senadora disse achar natural as desqualificações em meio à corrida eleitoral: "Foi a mesma posição tomada pela candidata Dilma Rousseff para tentar reduzir a capacidade eleitoral de Marina Silva. Creio que isso faz parte da disputa eleitoral: desqualificar os candidatos. Não entro no mérito do senador Aécio Neves, mas quem mais perde com Marina Silva é o Partido dos Trabalhadores e a candidata Dilma Rousseff, que perderá 12 anos de poder e um projeto maior de governo", afirmou Ana Amélia.

Outro ponto sensível na corrida eleitoral, o piso pago aos professores da rede de ensino do estado também foi alvo de críticas de rivais do governador. "Eu quero mostrar nessa campanha que se pode pagar o piso do magistério, mas é preciso mostrar esses recursos", disse Roberto Robaina (PSOL).

O tom do debate todo foi de críticas em diferentes setores do governo de Tarso, especialmente no setor da educação. Questionado por que a educação no estado é "deficiente", Tarso disse que ao assumir o governo em 2010 encontrou o sistema educacional em uma situação crítica: "A educação estava em uma crise brutal aqui no estado. Tínhamos escolas de lata, fizemos 1.300 obras e não conseguimos recuperar todas. Os salários estavam defasados, e demos o maior aumento real do estado, de 50%", disse. "Estamos aguardando a decisão do Supremo para ver o piso definido. Porque eu estou pagando o que acertei: o piso corrigido pelo INPC. Estamos pegando pelo INPC para não mexer no plano de carreira".

O candidato Robaina condenou as alianças construídas pelo PT de Tarso Genro, assim como promessas de campanha em comparação à sua gestão. "O PSOL tem uma bandeira sem manchas. O que o PSOL não aceita é fazer um discurso durante a campanha eleitoral e quando governa fazer o oposto do que falava durante a campanha. Isso é fraude", disse. "Vocês mudaram de lado, Tarso. Infelizmente, essa é verdade".

O candidato pelo PSOL ao governo gaúcho lembrou ainda que o estado tem um laboratório capaz de produzir remédios que está parado há dez anos e não foi reativado na gestão de Tarso Genro. "A indústria farmacêutica agradece aos governantes. O PT entrou na lógica de fazer serviço favorecendo o mercado privado e não levando em conta o direito do público. Essa é a realidade de um partido que se converteu ao contrário, e contra isso que o PSTU quer se colocar".

O governador do Rio Grande do Sul justificou as alianças que o PT fez sob o argumento da governabilidade. "Nós somos um partido aliancista. Fazemos alianças para dar passos como esses, de ser o primeiro governo que abate 15 bilhões de uma dívida", ressaltou.

No último bloco, os candidatos tiveram de responder a uma mesma pergunta: como fazer o Rio Grande do Sul retomar um papel protagonista no desenvolvimento e na história do País. Com exceção de Ana Amélia, que reforçou o tema das finanças, e Tarso Genro, que falou em alocação de investimentos, todos foram evasivos, com ideias gerais e poucos elementos concretos.

O atual governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, busca a reeleição em uma apertada disputa. Com 30% das intenções de voto, o petista tem como principal rival na corrida eleitoral Ana Amélia. A ex-senadora, segundo pesquisa Datafolha do dia último dia 15, aparece com 39% das intenções de voto.

Estiveram presentes ao debate ainda os postulantes ao governo gaúcho João Carlos Rodrigues (PMN) e Vieira da Cunha (PDT). De acordo com a pesquisa, enquanto o primeiro tem 1% das intenções de voto, Cunha aparece com 3%. Já Sartori mantém 7% das intenções de voto e Robaina, 1%.

Também tentam o posto no Executo no Palácio Piratini os candidatos Estivalete (PRTB) e Humberto Rodrigues (PCB), que não chegam a atingir 1% e não participaram do debate da Band.