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Política

Eleições 2014

Aécio e Dilma se concentram na economia na TV

por Redação — publicado 19/08/2014 14h30, última modificação 22/08/2014 16h45
Em programa com homenagens a Campos, principais candidatos centraram comentários na questão econômica
Fernando Frazão / Agência Brasil
Dilma e Aécio Neves

Dilma Rousseff e Aécio Neves durante o velório de Eduardo Campos, no domingo 17. Os programas dos dois lembraram a trágica morte do ex-governador de Pernambuco

No primeiro programa de televisão do horário eleitoral, levado ao ar nesta terça-feira 19, as campanhas de Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) se concentraram em questões econômicas para conseguir votos. O PSB, que deve confirmar Marina Silva como candidata na quarta-feira, seguiu o planejado e fez uma homenagem a Eduardo Campos, morto na semana passada.

Aécio Neves abriu o programa falando do “sentimento de enorme tristeza” com a morte de Campos e lembrou a “amizade e o respeito” entre os dois. Depois, se concentrou em tentar estabelecer uma diferenciação entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Para isso, Aécio lembrou os avanços recentes do Brasil e atribuiu-os à “construção de muitas pessoas, vários governos”, sem citar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, seu correligionário, que deixou o poder com uma popularidade baixa e é visto com um cabo eleitoral ruim, e sem criticar Lula, padrinho da adversária e altamente popular.

De acordo com Aécio, a entrada de Dilma interrompeu o avanço do País. “O Brasil está pior do que estava há quatro anos”, disse o tucano, para em seguida afirmar que as “conquistas estão em risco”, como mostram, segundo ele, a alta da inflação e o baixo crescimento do PIB. “Os brasileiros perderam a confiança na capacidade desse governo de fazer o Brasil avançar”, disse Aécio. “Os brasileiros estão sozinhos. O que depende dos brasileiros, dá certo. O que depende do governo, dá errado”, afirmou. Por fim, Aécio prometeu que, em seu governo, o Brasil vai “mudar para melhorar” e “se unir para voltar a crescer”.

O programa de Dilma Rousseff também se concentrou em questões econômicas. Inicialmente, a petista lembrou as conquistas sociais dos governos Lula e afirmou que, mesmo em meio à crise internacional, o governo Dilma conseguiu proteger os salários e manter a criação de empregos, além de criar iniciativas próprias, como o Pronatec, o Ciência sem Fronteiras e o Mais Médicos. A estratégia petista foi a mesma usada pela petista em entrevistas recentes: houve uma tentativa de enquadrar o atual momento da economia, de desaceleração, como uma fase de transição, em que estão sendo “plantados os frutos” a serem colhidos no segundo mandato. Segundo Dilma, investimentos em infraestrutura, petróleo, energia e internet, que têm “tempo de maturação”, fazem parte do início de “um novo ciclo de desenvolvimento”.

Lula foi o homem escolhido para tentar conter a ânsia por mudanças, expressa nas manifestações de junho de 2013 e nas pesquisas de opinião até hoje, e vista como uma ameaça à Dilma. O ex-presidente disse que seu segundo mandato foi melhor que o primeiro, pois teve “mais segurança, experiência e apoio” e reafirmou a ideia de Dilma estar “vencendo a crise” sem cortar empregos e salários. Em seguida, comparou sua reeleição com a de Dilma. “Já imaginou o prejuízo para o Brasil se eu não tivesse tido um segundo mandato?”, questionou Lula. O ex-presidente disse saber que muitas pessoas votaram nele em 2006 “sem estarem 100% satisfeitas”, mas disse que “ninguém se arrependeu”. Segundo ele, quem votar em Dilma não vai se arrepender, pois ela seria o caminho para “mais futuro e mais mudanças”.

Lula voltou a aparecer no fim do programa para lembrar a morte de Eduardo Campos e dizer que, como prometia o ex-governador de Pernambuco, o PT não vai “desistir do Brasil”.

O programa do PSB foi uma homenagem a Eduardo Campos, como anunciado. Havia uma tarja preta para lembrar o luto no canto direito. Nas imagens, falas de Campos pelo Brasil, algumas vezes ao lado de Marina Silva, sob o som de Anunciação, música de Alceu Valença.

Outros partidos

Entre os outros partidos, o que tinha mais tempo era o PSC, do Pastor Everaldo. Após uma rápida aparição do também pastor Silas Malafaia, Everaldo precisou de apenas dez segundos para se dizer contra a legalização do aborto, das drogas e do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O líder evangélico prometeu “restabelecer a ordem” ao afirmar que “o cidadão de bem está preso em casa enquanto os bandidos estão soltos” e disse pretender “reduzir a máquina do Estado ao mínimo”.

Os outros partidos tiveram pouco tempo para mostrar suas ideias. Mauro Iasi (PCB) falou em poder popular; Zé Maria (PSTU) criticou os partidos atuais, que governam para banqueiros e empreiteiras; Levy  Fidelix (PRTB) concentrou sua fala na “crise da saúde”; o PCO de Rui Costa Pimenta disse que o Brasil vive uma ditadura; José Maria Eymael (PSDC) disse ver a “nação em perigo” e prometeu defender a Constituição. O PSOL apresentou a família de sua candidata, a ex-deputada federal Luciana Genro, e o apoio do músico Marcelo Yuka a sua candidatura. O PV mostrou apenas um letreiro com uma mensagem de pesar pela morte de Eduardo Campos.

(Por José Antonio Lima)