Você está aqui: Página Inicial / Blogs / Blog do Felipe Milanez / Lider do Conselho dos Seringueiros de Chico Mendes apoia Dilma

Política

Amazonia

Lider do Conselho dos Seringueiros de Chico Mendes apoia Dilma

por Felipe Milanez publicado 16/10/2014 14h50, última modificação 16/10/2014 21h13
Joaquim Belo, presidente do CNS, diverge de aliança entre Marina e tucano e escreve carta de apoio a Dilma em que reforça importância de programas sociais
Joaquim Belo no Chamado da Floresta II

Presidente do Conselho das Populações Extrativistas defende programas sociais do atual governo e declara voto em Dilma. Foto de Edel Moraes

Nos últimos dias acompanhei o trabalho de lideranças do Conselho Nacional das Populações Extrativistas - atual nome do Conselho Nacional dos Seringueiros, fundado por Chico Mendes em 1985. Na Amazônia Oriental, no Pará e Amapá, Edel Moraes, vice-presidente do CNS, Atanagildo de Deus Matos, o Gatão, diretor do CNS, e Joaquim Belo, atual presidente, reforçaram em diversos momentos a importância dos programas sociais do atual governo para as populações que vivem na floresta.

Estive com Edel em Curralinho, sua cidade natal no arquipélago de Marajó, um dos locais com IDH mais baixo do Brasil. Ela e Leo Arruda (PT), atual prefeito, expressaram a importância do Bolsa Família na região, que vive um bom momento com o alto preço do açaí, porém com inúmeras deficiências para o atendimento básico da população.

Há, evidentemente, inúmeros outros problemas na gestão de Dilma com relação às populações tradicionais na Amazônia, especialmente os povos indígenas, pela falta de demarcação de suas terras e a construção de usinas hidrelétricas que impactam suas vidas em sociedade. "Se essa pressão dos ruralistas contra os índios fosse em cima de nós, estaríamos destruídos, teríamos desaparecido", diz Belo. "Eles são muito fortes para aguentar a pressão, e também contam com o apoio da comunidade internacional pois qualquer ataque contra os índios sempre gera um grande escândalo".

No entanto, para as lideranças extrativistas, que receberam o primeiro escalão do atual governo em dois encontros - o "Chamado da Floresta 1", em 2011, e o "Chamado da Floresta 2", em 2013 -, não há dúvida de que a interlocução é melhor agora do que com o PSDB no poder.

Abaixo, a carta de Joaquim Belo

__________________________________________________________________________

Porque defendo DILMA 13

 

A floresta não é a minha causa. A minha vida é na floresta.

Nasci e vivo até hoje na Comunidade Foz do Rio Mazagão Velho, extremo sul do Estado do Amapá e que em 2010 transformou-se em Projeto de Assentamento Extrativista.

Qualquer cidadão que vive aqui sabe que a conquista dos direitos na Amazônia é um processo muito lento.

Conquistar direitos é, acima de tudo, reconhecer a terra e o nosso modo de viver. Afinal, quando o mundo enxerga a Amazônia com toda a sua riqueza e exuberância e, mais recentemente, reconhecem a importância da mesma em um contexto socioambiental, enxergam a beleza dos rios, a imensidão das florestas e a diversidade de fauna, no entanto nós, populações que aqui estamos há centenas de anos, geralmente passamos despercebidos. Ficamos invisíveis mesmo sendo responsáveis por manter este patrimônio mundial.

Quando a grande mídia se coloca contra o Programa Bolsa Família, desconhece que para nós este programa tem sido muito mais que transferência de renda. É claro que a transferência de renda é importante, mas para nós não é tudo, por exemplo, considerando que estamos até mesmo superando a falta de documentação. Não ter documentos foi uma realidade muito forte por aqui. Até bem pouco tempo atrás, certidão de nascimento só era tirada quando a criança saia para estudar, ou então quando precisava de internação para tratamento médico... É por este motivo que gerações inteiras ao chegar no período de aposentadoria não tinha sequer certidão de nascimento para comprovar o seu direito.

Com a chegada do bolsa família, PBF superamos outros desafios a partir das condicionalidades do próprio programa bolsa família, tais como:

— Diminuição da mortalidade neo natal, pois do programa as beneficiarias precisam fazer pre natal; percebemos uma nova geração de crianças mais saudáveis graças ao controle do peso e cobertura vacinal, enquanto há vinte anos atrás ainda haviam casos de paralisia infantil por aqui; as crianças estão na escola e no pré-escolar, com diminuição da defasagem de idade e série, e da evasão escolar.

Por conta destas demandas sociais, as prefeituras precisam manter satisfatoriamente Programas Saúde da Família, ofertar vagas na pré-escola, garantir transporte escolar para todas as crianças e alunos, e com isso, surgem empregos, absorve-se produtos da produção familiar para merenda escolar, ou seja, a roda gira dentro dos municípios.

Resultados ainda maiores é atualmente ver nossos jovens nas Universidades, Faculdades, Escolas Técnicas usuários do FIES, ENEM, PROCAMPO, e, vislumbrar a partir deste marco uma Amazônia realmente soberana defendida pelas armas do conhecimento e do saber. E nosso ponto de partida, são nossos territórios, lugar aonde mora o conhecimento, a tradição, o modo de vida. Por esse motivo, continuemos firme na luta pela destinação dos territórios , as reservas extrativistas, para as comunidades extrativistas, aonde a nossa vida encontra a segurança, com uma relação homem e a natureza, que nos motiva, não desistir nunca da floresta, que é a nossa morada.

Portanto, defendo sim DILMA 13. DEFENDO A CONTINUIDADE DESTE PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DAS PESSOAS, DO POVO, DAS COMUNIDADES DA FLORESTA E DAS ÁGUAS.

Joaquim Belo, Presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS)