Você está aqui: Página Inicial / Blogs / Blog do Marcio Alemão / Primeira impressão

Sociedade

Refogado

Primeira impressão

por Marcio Alemão publicado 15/06/2014 10h39
Se a casa não consegue acertar o ponto da carne, melhor fechá-la
Flickr / Mark Longair
churrascaria

O que pode ser pior para uma churrascaria que errar o ponto da carne?

É um critério, eu sei, avaliar um restaurante não antes de três ou mais visitas. Mas não sei se concordo com ele.

Prefiro, se for o caso, chamar uma eventual coluna de Primeira Impressão. O que faço agora.

Que tipo de consumidor, de freguês, iria dar três chances a um restaurante? Conhecemos o ser humano. “Já foi naquele restaurante novo do Giovanni?”

“Fui. Uma catástrofe!”

Porventura, alguém imagina que a resposta seria: “Fui, mas ainda é cedo para te dizer alguma coisa; ainda pretendo voltar em um dia menos movimentado, em outro cuja umidade não prejudique a massa e, já de posse da carta astral do chef, escolherei um dia que o sol esteja em trígono com Júpiter e a Lua crescendo em Áries. Como você sabe, é uma conjunção extremamente favorável aos procedimentos alquímicos, dos quais a gastronomia faz parte”.

Vamos à churrascaria Carbone, recém-aberta na Cerro Corá, em São Paulo. Um rodízio ao contrário, de guarnições. Um forno especial, espanhol, encontrado também no Mani e no Attimo, parece ser a estrela da casa. Primeira impressão?

A conjunção astral deve ter sido uma das piores. Na primeira tentativa, as carnes vieram muito além do ponto combinado. Não aceitamos. Voltaram para a cozinha e, na segunda investida, aquém do combinado e frias. O que pode ser pior do que isso em uma churrascaria? Se você não consegue acertar o ponto da carne ou a temperatura, sem eufemismos, sem meias-palavras, feche a casa ou abra mão do churrasqueiro.

O sistema de variações dos acompanhamentos me deixou confuso. Não queria comer gnocchi. Não queria comer massa. Não queria comer risoto. Não como churrasco com nada disso. Comi batata assada, ok.

Comi feijão-tropeiro, medíocre. Dizem que no Rio uma ideia semelhante fez sucesso. Acredito. Comigo não fez e não fará. Segunda chance? Acho que não.

Antes de abrir as portas para o público e acionar loucamente a assessoria de imprensa, treine a brigada, treine o churrasqueiro, entenda o forno.

Um deslize pequeno merece outra chance. Esse que relatei, não. Serviço também naquela base que os colegas costumam dizer: ainda falta entrar nos trilhos. Sorry. A locomotiva já partiu e não volta mais.

Posso repetir? Não abra se não estiver nos trilhos. Ou faça o seguinte: não cobre. Eu paguei muito caro para comer mal. Ainda que tivesse dado tudo certo, eu diria que, por aquele valor, melhores opções existem
na cidade.

registrado em: