Sociedade

Refogado

Foi um prazer

por Marcio Alemão publicado 12/11/2014 01h57
Tiro meu avental e, muito grato, deixo para lá Food Trucks, tatoos e espumas
Arte: CartaCapital
Marcio Alemão

Foi um prazer

Depois de mais de dez anos e, acho, perto ou mais de 500 Refôs, retiro meu avental e caio fora.

Os que me acompanharam estão certos em crer que foi muito divertido. E sou grato à turma da Carta.

Em nenhum outro veículo eu teria a liberdade que tive para dizer tantas besteiras e para falar bem ou mal de quem me aprouvesse.

Em nenhum momento me aconselharam este ou aquele caminho.

Não vesti a toga do doutor gastrochato, questionei bastante os modernos de pouco talento e muita RP e continuo acreditando que uma boa lasanha, uma feijoada, um gigot, um bacalhau e um filé à cavalo merecem mais crédito que qualquer espuma ou ser rastejante/inseto da floresta.

Li que 478 jovens brasileiros passaram pelas cozinhas de Ferran Adrià. Acho que depois se perderam na Espanha ou foram para a Disney encontrar os pais, posto que, por aqui, eco de tamanha experiência não ouvi nem mastiguei.

Mas esta sempre será a opinião solitária desse que vos deixa daqui a algumas linhas.

Nesta semana, por exemplo, o Mesa SP, o maior evento gastronômico de algum lugar que os organizadores definiram, vai provar que temos, se não a melhor, uma das melhores cozinhas e cozinheiros do planeta.

Nosso nível de evolução, sabedoria e arrogância é de impressionar. O resultado, teimosamente bato nessa tecla, não se manifesta nas mesas que costumamos frequentar.

São Paulo continua sendo um local medíocre para se comer. Mas quem sabe Belo Horizonte?
Semana passada, uma gigante matéria no Paladar mostrava que a capital que desprezou Aécio está batendo um bolaço.

Acho que o excesso de tatuagens tem obnubilado o talento de jovens chefs. Aliás, alguns nem mais jovens são e suas tatoos começam a despencar e a apresentar sinais de decrepitude.

Deveriam ter aprendido. Não aprenderam, mas continuam enganando fortemente a plateia. Um cabelinho espetado ajuda na foto.

E o que dizer de Food Trucks e hambúrgueres gourmet? Como disse um amigo, somos Mono.

Agora começam a falar sobre produtores locais. Procurem. Há anos, muitos, falo disso.

Enfim, de certa forma diria que cansei um pouco dessa arrogância que tomou conta da mesa brasileira. Muito óleo para pouco pastel.

Não estou com paciência para sorrir para os neofilósofos que me dirão: comer é muito mais que comer.

Resumindo: foi bom. Deixou de ser.

Grato sempre serei aos que me leram.

E mais grato aos loucos que me bancaram durante esses anos todos.

Fui.

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