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Refogado

Fila pra comer e ser visto

por Marcio Alemão publicado 01/06/2014 05h45
Nem sempre a razão para se esperar horas para sentar-se em um restaurante é a boa comida
Flickr / TempusVolat
Refogado

Só a paquera explica a espera para comer no Paris 6

Fila antes de abrir. Acontece no Ton Hoi no fim de semana. Abrem às 19h30. Se você chegar às 19h35, provavelmente só vai sentar na segunda rodada. No Paris 6, as filas parecem não terminar o tempo todo. No Outback do Shopping Pateo Higienópolis, idem.

Donde se conclui: o ser humano é um cara esquisito.

O Ton Hoi para mim está na lista dos melhores de São Paulo. Frequento o local há mais de 30 anos e nunca comi mal. Quando aconteceu a culpa foi minha: pedi um bucho de peixe para experimentar e descobri que detesto isso. Mas o local tem comida excelente e preço melhor ainda.

Já o Paris 6, atestado por centenas de comedores confiáveis, serve refeições que não entusiasmam minimamente. Se estou sendo gentil? Sim, deveras. O Paris 6 tem sido execrado em redes sociais.

Não concordo com o exagero e tento explicar: não é bem um local para se deleitar com a comida.

Rapazes e moças com boa genética dividem olhares, possibilidades e por vezes algumas celebridades ou quase, podem ser vistas. Em outras palavras, não se vai ao Paris 6 com a expectativa de uma estupenda refeição, pelo menos no local.

Outback, não encontro explicação nos fundamentos gastronômicos, mas a verdade é que a molecada gosta. Já comi na casa. Nada que os desabone.

Porém, jamais entraria em uma fila para aguardar ansioso o momento de entrar e degustar qualquer item do cardápio.

Agora falando sobre questões óbvias, me contam à boca pequena que a Bolívia está muito perto de explodir como potência gastronômica e vai deixar o Peru dos grandes e renomados chefs como Gastón Acurio e... e... enfim, aquele monte de talentos, para trás. Não vejo a hora de presenciar essa batalha.

De minha parte, todavia, apostaria na cozinha do Suriname. Rola uma fusão muito maluca e riquíssima do Norte do Brasil com as influências dos colonizadores dos países baixos, vizinhos franceses e o Caribe por cima.

Ninguém ainda comentou, mas dizem que está havendo uma gigantesca fuga, um êxodo na verdade, de formigas amazônicas para aquela região. Alguns chefs brasileiros estão desesperados.

E de bobagens, por ora estamos satisfeitos, certo?

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