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Política

Leilão tumultua a Barra da Tijuca

por Edgard Catoira — publicado 21/10/2013 16h10, última modificação 21/10/2013 19h24

Já faz algum tempo que uma placa enorme, na saída do túnel que dá acesso à Barra da Tijuca, bairro da Zona Oeste do Rio, com os dizeres “Sorria, você está na Barra”, foi retirada do local. O anúncio vinha sendo motivo de piada, já que a felicidade de chegar à outrora mais limpa e mais acessível praia do Rio deu lugar a tormentos diários, decorrentes de um crescimento urbano desordenado.

Há muito que a Barra deixou de ser o oásis do carioca para se tornar o paraíso da especulação imobiliária. Não se gasta menos de duas horas entre o Centro da cidade e o bairro. Há poucos ônibus que chegam até a praia e é praticamente impossível encontrar uma vaga para o carro nos finais de semana. Sem falar da poluição, diretamente proporcional ao mar de prédios altos que só faz crescer.

Mas a chegada à Barra da Tijuca neste dia ensolarado de outubro ganhou um ingrediente inusitado na paisagem: soldados da Força Nacional, tanques, barricadas, helicópteros e até um navio da Marinha isolaram parte da Avenida Lúcio Costa, na orla, para realização do leilão do Campo de Libra, primeira grande área para exploração de petróleo na camada pré-sal.

É óbvio que a confusão será grande e que as principais emissoras de televisão vão se fartar com novas imagens de caos nos transportes e de confrontos de manifestantes com as forças de repressão – que já começaram na manhã desta segunda-feira. No entanto, neste episódio, o maior mascarado é o próprio governo, que agiu sem a devida transparência.

Sem medo de errar, afirmo que 90% da população brasileira não faz a menor ideia do que seja o Campo de Libra e qual a intenção do Governo de entregar sua exploração a empresas privadas. Por que os meios de comunicação só são utilizados para propagandas eleitorais ou para fazer balanços de estragos? Por que o Governo Federal não utilizou a televisão para explicar ao digníssimo público o que aconteceria na Barra da Tijuca no dia 21 de outubro de 2013? Explicar o que estaria em jogo e novo modelo de partilha para a exploração do petróleo. Mas, depois do ato consumado, talvez o governo venha explicar o que aconteceu e apresentar suas razões – o que, infelizmente, só reforça a tese de que no Brasil tudo é feito atrás da moita. Aliás, não é à toa que muitas empresas não quiseram participar desta licitação.

Já passou da hora das autoridades brasileiras serem efetivamente transparentes e mostrarem as cartas para os brasileiros. Do contrário, até mesmo quando as iniciativas forem positivas (não sei se é o caso do campo de Libra), a desconfiança será grande. Fazendo uma analogia com aquela célebre frase sobre a mulher de César – que além de honesta tem que parecer ser honesta -, eu diria que os nossos governos parecem sempre desonestos, mesmo quando ocasionalmente não o são. O petróleo ainda é nosso? Será adequadamente extraído, sem riscos de acidentes ambientais? Aguardo as respostas.