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Política

Seja feita a vontade do Imperador

por Edgard Catoira — publicado 01/10/2013 11h51, última modificação 01/10/2013 15h54
Com a cidade tomada pela polícia, clima de guerra cerca a Câmara Municipal

Hoje, terça-feira, 1º de outubro, é o dia marcado para a votação do Plano de Carreira dos professores municipais do Rio de Janeiro na Câmara dos Vereadores.

Como se sabe, o texto a ser votado foi montado pelo prefeito e sua base parlamentar, sem debates com professores ou vereadores não alinhados com Eduardo Paes, o todo poderoso mandatário do Rio de Janeiro.

O presidente da Câmara, Jorge Felippe, aliado de Paes, depois de ver os professores entrarem no plenário para evitar uma votação de cartas marcadas, chamou a PM, claro que com os aplausos de prefeito e governador, para enxotar o público da Câmara, ou “casa do povo”.

O Rio é uma praça de guerra desde o fim da semana passada, com muita pancadaria, carros blindados nas ruas e PMs atacando professores.

Além de ruas bloqueadas no centro da cidade, até o Metrô não para na Cinelândia. De dentro da Câmara, um funcionário, meu amigo, cujo nome não revelo para preservá-lo de retaliações, retrata o cenário desta manhã. Acho importante reproduzir o que ele descreve:

Vocês não fazem ideia do aparato montado para garantir a votação do Plano dos Professores. Não dá para entender...

Por que não suspendem a votação? Por que não recuam antes que as coisas fujam totalmente ao controle?

Só há uma passagem para quem se dirige à Câmara: a Rua Evaristo da Veiga na esquina de Rua das Marrecas. As esquinas da Rua Senador Dantas estão bloqueadas, assim como a Evaristo da Veiga, na altura do Bola Preta. A Álvaro Alvim também está fechada.

Centenas de policiais, dezenas de carros blindados. Só passa quem tem crachá da Câmara. Há policiais em todos os andares da Câmara. Só não vi cães. Inacreditável! Deprimente!

Como a Justiça pode permitir que uma sessão da Câmara possa ocorrer dessa forma?  Cadê o MP? Cadê a OAB? Cadê a imprensa filmando tudo?

É um escândalo! E se ninguém mais reagir, hoje, será o dia 1, do ano I, da nova e ambígua democracia do prefeito ambíguo do Rio.”

Isso tudo acontece porque o prefeito, no alto de sua prepotência, insiste na aprovação do projeto sem qualquer diálogo.

A votação tem hora marcada para começar: 14h. Caso não haja um impedimento judicial – ou alguma pancadaria – a tropa parlamentar de choque do prefeito vai impor a aprovação do texto. Tanto que o vereador Guaraná, líder de Paes na Câmara já chegou com o projeto embaixo do braço. Aliás, veio num carro preto, de vidros pretos e com sirene – como convém a um leal súdito do imperador.

Agora, tudo pode acontecer. Inclusive algo sério, levando em conta os ânimos exaltados de todos os lados. Tudo por simples pirraça de Eduardo Paes. Ele que segure as consequências de seu autoritarismo.