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Política

Rio de Janeiro

"Sem espaço", vereadores do Rio querem mudar de endereço

por Edgard Catoira — publicado 14/03/2014 14h47
No belíssimo Pedro Ernesto, palco de manifestações históricas, haverá apenas uma de troca de ratos – os atuais pelos roedores originais

Os vereadores cariocas não são criativos apenas quando idealizam seus projetos - em geral, propostas estapafúrdias ou que nada têm a ver com a legislação municipal. Criam uma cidade ideal, mas virtual, com serviços jamais concretizáveis, ou leis inúteis que só engrossam o anedotário da política.

Recentemente, um nobre parlamentar instituiu a “multa moral”, destinada a punir motoristas que estacionem seus carros em vagas destinadas a idosos e portadores de deficiência. E a lei prevê ainda que será colado no para-brisa do carro um adesivo escrito: “Rapidinho, não!”. Acreditem, não é piada. A rigor, é uma tragédia!

Salvo honrosas exceções, ao invés de legislarem a favor de uma cidade melhor e fiscalizarem como o prefeito gasta o dinheiro do contribuinte, Suas Excelências maquinam todo tipo de artifício para conquistar privilégios.

Há dois anos, tentaram comprar uma frota de carros de luxo, mas a pequena oposição botou a boca no trombone, a imprensa noticiou e o pagamento pelos carros, que já tinha sido feito, foi devolvido. Agora, os nobres edis decidiram mudar de sede, trocar de palácio. A razão seria a precariedade das instalações do Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia, que já não atenderia mais aos vereadores. A razão é pueril e o precioso prédio só tem precariedade porque não é devidamente cuidado pela administração pública. E as salas que eventualmente podem faltar sobram em edifícios do entorno da Câmara.

A decisão da mesa diretora, autorizando o presidente da Casa a iniciar as providências para a construção da nova sede, já está publicada no Diário Oficial da Câmara.

Mas o belíssimo Pedro Ernesto, que foi palco de manifestações políticas históricas, segundo o vereador presidente, Jorge Felippe (PMDB), será destinado a grandes eventos, como a posse do prefeito, dos vereadores e a entrega de medalhas. Outra piada de mau gosto, pois as posses ocorrem de quatro em quatro anos e a entrega de medalhas, cá entre nós, não justificaria a manutenção de um palácio. Haverá apenas uma de troca de ratos – os atuais, pelos roedores originais.

A nova Câmara, segundo seus defensores, será muito melhor e ficará na Cidade Nova – antiga  Zona do baixo meretrício – bem  pertinho da Prefeitura, quem sabe, facilitando o controle do prefeito sobre sua fiel bancada. Numa fábula possível, considerado o histórico das votações, dir-se-ia uma bancada de carneirinhos, mas na relação de Eduardo Paes com seus aliados é difícil saber quem é raposa, quem é carneiro e quem come quem.

Aliás, por ocupar o local onde era a “zona”, a sede da prefeitura é conhecida como Piranhão e o anexo de Cafetão. Que apelido terá a Câmara? Eu proponho Rufião. Para outras sugestões, favor enviar cartas para o presidente Jorge Felippe.

O fato é que o povo continua sendo o coadjuvante dessa história e pouco importa o que ache da mudança. E esta é a questão que gostaria de sublinhar: o que ganha o carioca com a mudança da sede da Câmara dos Vereadores?! Nada! A não ser, talvez, pouquíssimos empreiteiros-amigos-do-poder cariocas. A mudança necessária, aquela que todo mundo deseja, e que os movimentos de junho provaram, é a mudança de atitude, não de sede.

Pensando no Parlamento inglês, que ocupa, há séculos, o mesmo espaço em Londres, abaixo a mudança da Câmara Municipal do Rio de Janeiro!