Você está aqui: Página Inicial / Blogs / Blog do Edgard / Salvemos Santo Antonio

Política

Salvemos Santo Antonio

por Edgard Catoira — publicado 01/09/2013 10h35, última modificação 01/09/2013 12h05
No Rio, franciscanos pedem socorro para preservar um monumento histórico nacional

Sempre reclamo dos desmandos de autoridades com o trato da cidade.

As coisas que vejo me deixam indignado quando caminho pelas ruas, como falta de lixeiras onde eu possa jogar até a guimba do cigarro que fumei. (As que existem estão quebradas. E as que existiam, nunca foram repostas). Assim mesmo, com autoridade, o prefeito Eduardo Paes manda multar quem suja a cidade, numa postura de Sarney, quando colocava a a população como fiscal de toda a sociedade e, ao encontrar algo fora do que pareceria justo, cantava o Hino Nacional e mandava prender. Somos a favor da multa, mas das lixeiras também.

Nesta semana, meu neto fotografou e me enviou uma lixeira quebrada, despencada, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Exemplo de como estão as que ainda existem e que eu guardo em meu arquivo para postar aqui quando puder. Nessa linha, aliás, tenho fotos arquivadas de caminhões em cima do calçadão da Avenida Atlântica que, para quem não sabe, é tombado. E outra, de um caminhão da companhia de águas e esgotos estacionado na ciclovia da praia. Em todos os casos, veículos pesados que estragam a via pública – e são todos pertencentes ao governo do estado e à prefeitura, ambos ferozes multadores de cidadãos pacatos como eu.

Hoje, porém, reservei o espaço da foto para uma antiga ilustração do meu adorado Convento de Santo Antonio, conjunto arquitetônico histórico que se situa no centro da cidade, em frente ao Largo da Carioca, que teve sua pedra fundamental lançada no dia 4 de junho de 1608, e cujas obras se estenderam até 1620. Tudo em estilo barroco sóbrio – o rico interior da igreja é todo entalhado em madeira recoberta por folha de ouro.

Tudo passa pelo monumento

A história do país sempre passou pelo convento: era frequentado pela família real portuguesa desde a chegada de D. João VI e depois pela corte imperial. D. Pedro I, que não foi um exemplo de religiosidade, costumava se aconselhar com os franciscanos. Tanto que foi de um deles a frase “como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”, símbolo do início da independência do Brasil.

Para religiosos, é útil saber também, que o santo Frei Galvão foi ordenado padre na igreja de Santo Antônio, no dia 11 de julho de 1762.

Para tristeza de cariocas e turistas, o tempo desgastou essa preciosidade rara. Em 2007, com apoio da Lei Rouanet, foi iniciada a restauração do prédio. Calculava-se em 45 milhões de reais o total das obras, incluindo o da Igreja da Ordem Terceira, ao lado do convento.

Só que o dinheiro levantado até hoje não deu para terminar o restauro do conjunto. E os franciscanos estão passando o pires. Mas os responsáveis pelo imóvel somos nós, brasileiros, devotos ou não de Santo Antonio. É um patrimônio importantíssimo que temos que recuperar. Nós e os governantes que nos representam.

Nessa linha, a presidente Dilma anunciou que destinará 1,6 bilhão de reais em projetos de recuperação e restauração de monumentos históricos e espaços públicos nas cidades históricas de Minas. Sugiro que – sem prejudicar esse belo projeto que espero que realmente se realize – governantes, empresas, Unesco e a sociedade também olhem para o monumento.

Para garantir alguma ajuda, parodiando Unesco/TV Globo, proponho uma campanha do tipo “Santo Antonio Esperança” para salvar esta fatia importante do patrimônio histórico deste país.

Afinal, como disse a presidente no lançamento do programa de recuperação das cidades mineiras, "O melhor jeito de preservar uma coisa é usufruindo dela, tornando-a útil e admirável".