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Sociedade

Turbulência

Rio de Janeiro: 15 de maio decisivo

por Edgard Catoira — publicado 14/05/2014 12h19
A rotina de greves, manifestações e problemas no trânsito que o carioca enfrenta há algum tempo podem piorar com uma greve da polícia civil
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Motoristas e cobradores cariocas estão em greve

Quinta-feira, 15 de maio, passou a ser uma data esotérica que definirá o humor do Rio de Janeiro durante os eventos esportivos da Copa.

O clima geral está conturbado, com o trânsito confuso há semanas, graças a obras – e seus respectivos atrasos – manifestações nas ruas (quase que diárias) pipocam em todas as regiões e greves, que já estão acontecendo ou que estão para vir. Tudo agora se agravou com a greve de motoristas e cobradores de ônibus.

Os bancos estão funcionando precariamente, com a vigilância de braços cruzados há dias. Neste momento, estão paralisados também alguns setores dos serviços públicos. Na prefeitura, desde o dia 13, engenheiros, geólogos e arquitetos, cerca de mil profissionais que dão licenças para obras e as fiscalizam, estão parados, reivindicando um piso salarial de nove salários mínimos. Em reunião no importante dia 15, eles decidirão como continuarão o movimento.

Outra assembleia que marcará a data é a de professores, municipais e estaduais, que decidirão como agir na greve iniciada também no dia 13. O STF autorizou Estado e Prefeitura a cortarem os pontos dos faltosos, que reivindicam aumento salarial de 20%, carga horária semanal de 30 horas de trabalho e um terço do tempo reservado para planejamentos escolares. A Prefeitura já dá sinais de que cumprirá o que tinha sido combinado e não punirá grevistas. Quinta-feira veremos o que acontecerá.

Perigo iminente

Pouco comentado está o movimento da Polícia Civil. Há uma promessa feita pelo governador Sergio Cabral em dezembro, de que até o dia 15 de maio – sempre esta data – o Governo enviaria projeto para a Assembleia Legislativa em que incorporaria ao salário uma gratificação – no valor de R$ 850,00 – que os policiais recebem a título de gratificação, de acordo com o planejamento da modernização da Polícia Judiciária do Rio. Há um mês, cerca de mil policiais se reuniram em assembleia, cobrando uma definição do Estado.

Cabral deixou o governo e seu substituto, e candidato a governador, Luiz Fernando Pezão não dá sinais de ter o projeto em andamento. E está sendo pressionado também pela PM: se cumprir o que Sergio Cabral prometeu ao Sindipol, também se movimentará para melhorar os níveis salariais.

Os deputados também não confirmam como estão as negociações. O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (Sindipol), Francisco Chao, porém, não está bem humorado. Em silêncio, aguarda o fatídico dia 15 de maio para saber o que foi providenciado pelo governador junto à Assembleia Legislativa. Caso o prometido aos policiais não seja cumprido na íntegra, numa reunião na segunda-feira, Chao não terá dúvida em declarar a greve, que já está sendo praticamente pedida por toda a classe. São 11 mil profissionais que poderão parar e, aí sim, comprometer a segurança geral do Estado, em plena época da Copa.

Chao, que completa 45 anos de idade também no dia 15, diz que o governador ainda tem tempo de dar um presente aos policiais, no dia de seu aniversário. Ou, greve. E suas consequências para a população.

Para quem não sabe, o policial civil tem que ter curso superior, como o delegado, mas as diferenças salariais são enormes – piso inicial de R$ 4.500,00 para o inspetor contra 15 mil do titular da delegacia.

Chao promete explicar pormenorizadamente a Carta Capital o que acontecerá a partir da semana que vem, inclusive as origens de um setor importante para a sociedade e está completamente abandonado pelo poder público. No fim de semana volto ao assunto.