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Política

O grito do Ipiranga nas terras de Curupira

por Edgard Catoira — publicado 09/09/2013 11h55, última modificação 09/09/2013 12h50
Forças Armadas sem verbas e sem novidades desfilam velharias desinteressantes

É óbvio que não fui ao desfile de Sete de Setembro no último sábado, na Avenida Presidente Vargas, no Rio – programa mais melancólico não há. Aliás, nem prefeito nem governador deram o ar da graça, o que dá para entender, já que o mar para eles não está para peixe. Mas assisti a flashes da parada militar que começou temerosa com o que parte da audiência poderia provocar e – não deu outra – terminou com aquele gostinho de que não quero nunca mais – aliado às batalhas campais que aconteceram em todo o país.

Em Brasília, não foi diferente: um desfile apressado, sem graça, onde a atração era um grupo de soldados pendurados numa motocicleta. Nem a Esquadria da Fumaça decolou e, talvez, o que de mais bélico havia era a fisionomia da presidenta, que teve que sair correndo de São Petersburgo, na Rússia, para cumprir protocolo ao lado de generais, almirantes e brigadeiros. Presidentes das casas legislativas federais não compareceram ao evento, aliás, por segurança: eles sabem como estão rejeitados pelo povo.

E este é o ponto. Por que se insiste nesse tipo de formato, de parada militar? Por acaso o poder de fogo ostentado nos desfiles, com tanques de guerra ultrapassados e motocicletas dos anos 1970 seria capaz de conter eventual ataque estrangeiro e garantir a independência brasileira? Custo a crer.

Não seria o caso de mostrarmos nos desfiles que comemoram o Dia da Independência a força da nossa cultura, muito mais bem descrita nos desfiles de Carnaval, com aqueles enredos maravilhosos que ligam alhos com bugalhos, mas traduzem com perfeição o povo que somos? Quem sabe até não se encontra uma utilidade para o porta-aviões Minas Gerais, transformando-o num belo carro alegórico?

Enfim, está mais do que na hora de transferir a organização da parada de Sete de Setembro para as mãos de artistas brasileiros competentes que certamente atrairão milhares de brasileiros para cantar com entusiasmo “ó pátria amada idolatrada, salve, salve!”.