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Política

Pressão popular

O bicho pegou na Câmara do Rio

por Edgard Catoira — publicado 11/08/2013 16h02, última modificação 12/08/2013 11h16
Ativistas convocam o povo carioca a comparecer à sessão da CPI dos ônibus e pressionar para que o vereador Eliomar Coelho seja presidente da comissão que ele propôs

O irriquieto vereador Eliomar Coelho, do PSOL, é uma oposição que faz frente à Prefeitura há muitos anos. Guerreiro, incansável, ele sempre levanta debates polêmicos que a própria casa legislativa, através da maioria que forma a base do governo, acaba diluindo em discussões que são esquecidas.

Mais uma vez tentou-se esse golpe. Como vem fazendo há anos, Coelho deseja investigar a cartelização no processo licitatório dos transportes no Rio. Para isso, buscou assinaturas entre seus pares e conseguiu aprovar a CPI dos ônibus.

A primeira sessão de instalação da CPI foi marcada para terça-feira 13, quando os integrantes elegeriam o presidente da comissão.

Só que os vereadores da base governista que compõem a comissão resolveram a se articular para que a CPI dê em pizza: passando por cima do regimento, da vontade do autor da comissão e da sociedade carioca e conseguiram antecipar a instalação da CPI para o dia 9, sexta-feira, o que realmente acabou acontecendo.

Tradicionalmente, Eliomar Coelho iria esbravejar, protestar, e ver sua voz se perder pelos belos salões do Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal.

Mas a coisa mudou. O povo, hoje, está alerta para as coisas da política. E os jovens apareceram na casa legislativa na sexta-feira. Houve tentativa de barrar a entrada deles. Mas a garotada pressionou e as galerias ficaram lotadas. O povo acompanhou de perto o processo da escolha do presidente e do relator da CPI. E viram quatro vereadores da base do prefeito Eduardo Paes, que, como o governador Sérgio Cabral, é do PMDB, assumirem a CPI: Professor Uoston (PMDB), Chiquinho Brazão (PMDB), Jorginho da SOS (PMDB e Renato Moura (PTC).

Eliomar Coelho saiu da CPI, vociferando que não é recheio de pizza. Só que agora, o povão acompanhou o pretenso golpe. E, finalmente, Coelho não está mais só. A Câmara foi ocupada, todos pedindo que ele assuma a presidência da CPI. Nada ficou resolvido, a Justiça, chamada a se pronunciar, confirmou que a Câmara é do povo. Tentaram apagar luzes e fechar banheiros, mas a força popular foi mais forte: o Pedro Ernesto ficou ocupado no fim de semana e a população levou comida, bebida, roupas limpas aos invasores, que agora dialogam tranquilamente com a segurança.

Político como Brazão, que é amigo da família Barata, forte no setor de transportes e intimamente ligada ao prefeito Eduardo Paes e seu chefe Sérgio Cabral, ganhou, mas desta vez não levou. A semana começa com a Câmara tomada por jovens e os vereadores tendo que dar satisfação ao povo – que pede a presidência da CPI para Eliomar Coelho.

Os ativistas estão convocando o carioca a comparecer, “em massa” à sessão de instalação e pressionar os integrantes da comissão que elejam o vereador Eliomar Coelho como presidente da Comissão que ele mesmo propôs!

O prefeito Eduardo Paes, cândido diz que vai acatar qualquer decisão da Câmara Municipal em relação à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Ônibus. Só que isso não é uma benesse do agora sereno prefeito. É o que manda a Lei. Eliomar Coelho finalmente consegue assumir a posição que sempre mereceu: respeito pela luta de um vereador que realmente representa seu povo.

Como manda a Democracia, o poder, finalmente, emana do povo – através de um velho vereador oposicionista que sempre foi minoria e nunca teve apoio merecido dentro do parlamento carioca. Fato exemplar do Rio para o resto do País.

Nenhuma manifestação pode ser perdida nesta semana emblemática para uma verdadeira democracia no Brasil.