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Política

Mentes brilhantes

por Edgard Catoira — publicado 27/09/2013 13h21, última modificação 27/09/2013 13h44
Os professores do Rio estão fiscalizando pessoalmente todas as jogadas dos vereadores ligados ao prefeito
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Plenário segue ocupado (Foto: Eduardo Casaes)

O plenário da Câmara Municipal do Rio continua ocupado pelos professores que não admitiram a votação do Plano de Cargos e Salários repleto de cartas marcadas pelo prefeito. E mais ocupadas ainda devem estar as mentes brilhantes que provocaram isso tudo: Eduardo Paes e seus vereadores, que, a essa altura, devem estar reunidos no Palácio da Cidade – matriz do Poder Legislativo – estudando como sair dessa. Afinal, o assunto volta ao plenário na próxima terça-feira. E os professores prometem continuar vigilantes.

Na recente e triste história do Parlamento carioca, conhecido como Gaiola de Ouro, muitos absurdos foram cometidos contra a cidade. Sem pudor, gabaritos de edifícios foram aumentados, áreas de proteção ambiental transformadas em campos de golfe, taxa de iluminação criada da noite para o dia, isenções de impostos concedidas para empresas de ônibus e, frequentemente, sem uma reação significativa da população. A dobradinha prefeito/vereadores sempre foi muito fácil.

Mas os ventos mudaram. Novos personagens tomaram a cena política e impuseram um duro golpe no tipo de democracia que vinha sendo praticado no Palácio Pedro Ernesto com o patrocínio do gabinete do prefeito. Na última quinta-feira, 26, ouvimos um basta contra as reuniões falsas, as negociações pro forma, as contas truncadas e os discursos vazios que só servem para dar ares de legitimidade a um processo legislativo viciado, que de democrático nada tem.

É muito comum ouvir que na Câmara Municipal não tem bobo. Que os bobos ficaram todos do lado de fora. Mas será que isso não mudou? Pelo que assisti ontem, tenho certeza de que sim. A população começa a resgatar a sua Câmara Municipal e a exigir mais compostura. E, como as eleições municipais só ocorrerão daqui a três anos, vereadores e prefeito terão que inaugurar novas práticas, a começar por trabalhar a portas abertas e com a independência que se requer de dois poderes distintos. Chega de fazer política às escondidas. Aliás, quem primeiro deveria desocupar o plenário da Câmara Municipal é o Poder Executivo. A desocupação dos professores será discutida por eles mesmo, em assembleia da classe.

Em tempo: no texto anterior, dei o nome dos que participaram da formulação do plano secreto do prefeito no palácio do governo. Por uma questão de justiça, listo agora aqueles que permaneceram no plenário, onde deveriam estar. São eles: Cesar Maia, Eliomar Coelho, Jefferson Moura, Marcio Garcia, Paulo Pinheiro, Reimont, Renato Cinco, Teresa Bergher Verônica Costa e, muito tímido, Carlo Caiado.