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Política

Inferno sobre trilhos

por Edgard Catoira — publicado 29/08/2013 18h13
O sistema de transporte público na Cidade Maravilhosa faz povo apedrejar trem

Não vou comentar a fuga de La Paz do senador boliviano nem o rumo da diplomacia da presidenta. Também não vou falar dos últimos apagões no país: o moral, da Câmara dos Deputados que absolveu o deputado Donadon, nem o que deixou às escuras a região Nordeste do Brasil.

Mas vou pegar carona nas reflexões de D. Dilma sobre o céu e o inferno. No caso, um inferno prosaico, mas não menos cruel para milhares de cariocas que se deslocam todos os dias pela cidade.

Hoje, dia 29 de agosto, mais uma vez, os trens da Supervia, que circulam pela região metropolitana do Rio, falharam e, com eles, todos os procedimentos elementares que se espera de uma empresa prestadora de serviços. A parada de três composições e a falta de um plano de informação e remoção dos passageiros deixaram as pessoas desesperadas, mais uma vez. E foi a gota d’água que faltava para acontecer outro quebra-quebra, quando alguns usuários perderam o controle e jogaram pedras no trem.

O sistema de transportes da cidade do Rio de Janeiro é um inferno, e sobre a ocorrência de hoje ninguém quer falar. A Supervia não se pronunciou no momento devido, tampouco a Agetransp, suposta agência reguladora e verdadeiro cabide de empregos. Também na moita ficou Sua Excelência o secretário de Estado de Transportes, empresário Júlio Lopes. Aliás, ele não teria nada para falar mesmo. É um desastre como gestor público.

Vamos contar quantos dias se passarão até o próximo apagão dos trens, do metrô ou das barcas do Rio – sem esquecer, claro, do problema com a volta dos bondes ao bairro de Santa Teresa.

Se a maioria dos cariocas tivesse a mesma paciência e o mesmo temperamento da presidenta, já tinha chutado o pau da barraca.

A foto do site da Supervia é linda. Seria bom que os trens funcionassem maravilhosamente também. Não custa lembrar que o momento é de cuidar bem do usuário. Afinal, agora o povo está nas ruas protestando, e não é de bom tom que governantes resolvam testar como anda a paciência e o humor de seus contribuintes.