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Política

Rio de Janeiro

Frescões seriam grande opção para transporte

por Edgard Catoira — publicado 25/09/2013 07h43, última modificação 25/09/2013 11h05
Aventuras cariocas na comodidade dos frescões – até que um crime aconteça
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O eterno problema das linhas de ônibus está longe de ser resolvido

Para resolver o problema dos grandes congestionamentos nas ruas e avenidas, sem dúvida, a melhor opção é o uso do transporte público. Um bom transporte público.

No Rio, porém, o que existe é uma dúvida cruel. Os governantes falam em vias expressas, novos trens, ampliação da linha do Metrô. E tudo começa aí: “a linha, única, do metrô”, que ligará a Barra a subúrbios, passando pela Zona Sul e pelo Centro. Hoje, já se tornou impossível que qualquer trecho dessa linha seja usado pelo carioca com um mínimo de conforto. Os carros estão sempre lotados. Imaginamos como será quando estiver funcionando a ligação entre a Zona Sul à não menos populosa Barra.

Trens velhos, lotados, quebrando constantemente, também não podem ser opção a quem se desloca pela área do Grande Rio.

O eterno problema das linhas de ônibus também está longe de ser resolvido. Nem a Câmara Municipal consegue se livrar do cartel imposto pelas concessionárias, como tem sido amplamente mostrado neste blog. Assim mesmo, a prefeitura insiste em divulgar as novas vias expressas como solução definitiva para a cidade. Até agora, as primeiras experiências ainda se mostram desastrosas, já esburacadas em alguns trechos e assassinas de pedestres em outros.

Uma solução pouco lembrada é a dos ônibus especiais, batizados como “frescões” por possuírem ar condicionado, que percorrem, com passagens a 9 reais, longos trechos sem parar.

Para quem vai do Centro à Zona Sul, porém, a simples travessia pelo Aterro do Flamengo é uma corajosa aventura. Assaltos frequentes aos passageiros não chamam a atenção de quem está fora dos veículos porque a via é de velocidade, sem paradas, e os bandidos podem agir livremente, sem riscos. E saltam, impunes, no primeiro ponto, já em Botafogo. Estes casos, raramente são registrados em delegacias.

Para ter ideia de como andam as coisas, pedi a uma amiga que registrasse para mim, por celular mesmo, todos os ataques que soubesse entre o Centro e Campo Grande, trajeto que ela percorre todos os dias, em ambos os sentidos.

Os frescões que cobrem essa área percorrem cerca de 60 quilômetros entre os pontos inicial e final. A maioria do caminho passa pela Avenida Brasil, pela faixa preferencial, à esquerda das outras. Fernanda – esse é o nome de minha informante, cujo sobrenome, por segurança, prefiro preservar – mandou, como combinamos, via Facebook, as experiências que viveu. Em três dias úteis, sempre pelo Face, tivemos resultados assustadores.

Na sexta-feira, 20 de setembro, Fernanda me dizia que perguntara ao motorista do ônibus em que estava voltando para casa como andavam os assaltos. A resposta foi imediata: “o primeiro assalto de hoje foi às 16h. Mas, é muito comum assalto aos frescões que saem do terminal Menezes Cortes, no Centro. As linhas que mais sofrem são a 2336, antiga 1136, para Campo Grande; a 2331, antiga 1131 para Santa Cruz e a 3381 para Pedra de Guaratiba.”

O motorista explica claramente o que vive nesse caminho diário para a Zona Oeste da cidade: “Os assaltantes preferem essas linhas porque são expressas. Elas só param até a Leopoldina – antiga estação ferroviária, ainda no centro da cidade.” E continua seu relato: “depois pegam a Avenida Brasil pela seletiva, o que facilita o assalto.”

Bastou Fernanda postar essa informação para que, imediatamente, entrassem novas experiências de outros leitores. Alexandre Costa, contou que foi assaltado na linha 2336 – Central - Campo Grande.

Renan Oliveira, que também já passou por um assalto em maio, analisa: “estão fazendo isso toda semana e nenhuma autoridade toma alguma providência”, até que aconteça alguma tragédia, conclui.

Leonardo, amigo de Fernanda, acha até que pode ser uma “armação política” para espalhar insegurança até aparecer um “herói” que prenda os bandidos e coloque uma guarita, acabando com os assaltos e ganhando as eleições.

Outros amigos seus relatam experiências semelhantes – alguns até com tiros disparados para cima pelos assaltantes – e sugerem usar trem, para maior segurança. Renata, também amiga dela, conclui: “segurança e Supervia são palavras que não podem ser utilizadas juntas...”

Diante da declaração de Renata, Fernanda é definitiva: “segurança e Rio de Janeiro são coisas que não combinam mais.”

Para nossa vergonha, assim as autoridades preparam o Rio para sediar grandes eventos internacionais.

PS: Apesar do descaso das autoridades e dos riscos para os passageiros, o bom humor impera no Rio. Na noite de terça-feira, 24, Fernanda posta a seguinte mensagem: “Só rindo: entro no ônibus e o piloto é o mesmo lindão de tirar o chapéu de sexta passada. Aí ele anuncia: ‘senhoras e senhores não se incomodem se eu mudar a rota. Estão assaltando direto e eu não vou dar mole pra Kojac. Estou indo pela perimetral (para não passar pela Leopoldina). Se o ladrão estiver aqui dentro estamos ferrados! Gargalhada geral...’”