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Política

Francisco em terras de Cabral

por Edgard Catoira — publicado 23/07/2013 18h53, última modificação 23/07/2013 20h36
Grupos de jovens longe de vandalismos

Multidão que atrai o papa assusta governador

A entrada triunfal do papa Francisco no Rio tem sabor de História. Afinal, foi o papa Leão I que segurou Átila, o Rei dos Hunos, quando ele tentou invadir Roma em meados do Século V. Era a truculência contra um religioso.

Tudo parecido com o que se viu no Rio na segunda, 22. Francisco chegou, dispensou carrão, batedores e saiu pelas ruas, de peito aberto – e braços também – para encontrar o povo. Os seguranças é que ficaram estressados nas diversas vezes em que o trânsito impedia a movimentação do carro – erro de logística –, quando as pessoas se aproximavam para tentar tocar Francisco. O papa, visivelmente feliz, engarrafado no trânsito, retribuía o carinho, pondo a mão para fora, saudando e benzendo as pessoas.

Do outro lado da cidade, o esquema de segurança montado próximo ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual, era feroz. Era enorme o aparato policial para preservar o local onde as autoridades receberiam Sua Santidade oficialmente no Brasil.

Nas ruas do centro da cidade, a balbúrdia do bem estava instalada, com o líder religioso, a partir de certo ponto, ter rodado as ruas no Papamóvel sem vidros laterais. Uma festa de confraternização do chefe da Igreja Católica e a multidão católica, não católica, composta por brasileiros e estrangeiros que tomavam as ruas. Parecia ilusão que a segurança junto ao Palácio Guanabara fora montada para receber esse jovem Francisco, de 76 anos de idade.

Não por coincidência, o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro estampava, na mesma segunda-feira, um decreto do governador criando uma Comissão Especial de Investigações de Atos de Vandalismo em Manifestações Públicas (confira a íntegra do decreto, em PDF), como explica o texto Até onde vai a Polícia Militar de Cabral?.

Pelo decreto, Cabral mostra seu espírito ditatorial, determinando que a comissão pode pedir informações a telefônicas e provedoras de internet. As empresas deverão identificar quem se comunicou com quem e o que foi conversado entre as partes. E sem ordem judicial. Isto é, o sigilo das comunicações dentro do Estado foram para o brejo.

O decreto é um claro recado às empresas de que elas devem ser obedientes. E o senhor governador e seus seguidores poderão, claro, obter dados maravilhosos para qualquer chantagem de seus opositores. É uma bela forma de governar sem oposição.

Voltando ao papa, ele chegou, finalmente, no Palácio Guanabara no fim da tarde, onde ouviu o discurso político da presidente. Em seguida falou, mas com o coração, dizendo saber que para entrar no Rio é preciso ultrapassar o portal do coração do carioca, em cuja porta de entrada ele batia carinhosamente naquele momento.

Lá fora, a polícia dispersava manifestações de cerca de 1.500 pessoas, segundo avaliação da PM. Houve confrontos e quem fotografava era preso – em ação nada comum numa democracia real. Mas com Cabral é assim mesmo e, por isso, a PM é atiçada com truculência contra o cidadão. Clara reação dos estertores de um governo falido.