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Cultura

Crônica

Este é meu lugar

por Edgard Catoira — publicado 20/11/2013 12h19, última modificação 20/11/2013 14h58
Apesar das dificuldades da cidade, amo ser um tupiniquim do Rio

O fim de outono carioca anda imprevisível. O sol aparece, a temperatura fica senegalesca. Ou chove. Neste caso, torrencialmente.

O trânsito do Rio está cada vez mais caótico. É desanimadora qualquer ideia de sair, seja de carro, metrô, ônibus ou trem.

Mas a vida continua. Neste feriado da Consciência Negra, resolvi escrever sobre o acarajé, bolinho de feijão fradinho frito, comida oferecida a Iansã, no Candomblé. Sempre como o acarajé do Jae, na Praça Serzedelo Corrêa, em Copacabana. Sua barraca fica bem na esquina da Rua Siqueira Campos. É, sem dúvida, delicioso e eu saboreio um ou dois cada vez que passo por lá, nos finais de semana.

Para minha tristeza, Jae não foi ao ponto hoje. Eu queria discutir com ele o desaparecimento desse quitute baiano que é perseguido por pessoas que rejeitam a religião africana. Sem problemas – eu voltarei ao assunto, em defesa dessa iguaria que faz parte de meus sabores prediletos.

Como viajo para o hemisfério norte ainda hoje, resolvi voltar para casa pela praia de Copacabana. Fiz mal. O dia está transparente, azul, quente. A praia está lotada de gente. O calçadão também, com as figuras que costumo encontrar sempre e muitos turistas. Tudo bem policiado, como deve ser.

Olho para a areia, sentindo a brisa do mar. Gente – bonita ou não – pratica esporte, caminha ou se espreguiça na praia. Barracas, vendedores de quinquilharias, bandeiras de todos os times de futebol, coloridas, fazem o contraste com o azul profundo de céu e mar. Nos cantos da praia, os fortes do Exército. É o cenário perfeito do paraíso onde vivo e que não verei nos próximos dias.

Cruzo com gente na Avenida Atlântica. A alegria toma conta. Sinto saudade de tudo que é meu: esta cidade, esta gente feliz. E assim, mando às favas as dificuldades que vivemos no dia a dia e os governantes que não amam o Rio como deveriam.

Saio para o aeroporto triste por abandonar, ainda que por duas semanas, este cenário privilegiado. Vou ver gente querida, tomar bons vinhos, rir e me emocionar por outras plagas não tropicais. Porém, com a consciência de que voltarei para minha velha Copacabana, onde voltarei a ver estas cores, bandeiras, pessoas, saboreando o acarajé do Jae. Afinal, aqui é meu lugar. No Rio é que sou feliz.

Mando notícias.