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Política

Alianças perigosas

por Edgard Catoira — publicado 15/08/2013 10h27, última modificação 15/08/2013 13h35
A tentativa da base governista de Paes de controlar a CPI dos Transportes eleva a tensão e cria risco de mais violência

O impasse criado pela CPI dos Ônibus continua na Câmara Municipal do Rio. Há muito não me deparava com tamanha quantidade de versões para entender um pouco do lado carioca da crise social e política instalada no país desde meados do primeiro semestre de 2013. De fontes confiáveis ouço relatos os mais contraditórios sobre a raiz de tanta instabilidade.

Para entender especificamente a polêmica desta CPI, é bom relembrar que de um lado está o grupo criador da comissão que deve investigar contratos de concessão de ônibus que operam no transporte público da cidade, composto pelos vereadores Eliomar Coelho, Jefferson Moura, Renato Cinco e Paulo Pinheiro, do PSOL; Teresa Bergher (PSDB), Leonel Brizola Neto (PDT), Márcio Garcia (PR) e Reimont (PT). De outro, os parlamentares que foram eleitos para dar continuidade a ela: Chiquinho Brazão (PMDB) como presidente: Professor Uoston (PMDB) para relator, além de Renato Moura (PTC) e Jorginho da SOS (PMDB) – que não assinaram o pedido de criação da CPI.

Os vereadores que pediram e conseguiram instalar a CPI se revoltaram ao ver oponentes a ela, todos da base parlamentar do prefeito Eduardo Paes (PMDB), conseguirem assumir o desenvolvimento do inquérito que não interessa à Prefeitura. Veem nesse grupo a instalação de mais uma pizza. Até porque o presidente eleito para a CPI tem ligações com Barata, o chefe maior das empresas de ônibus, também apoiado pelo governador Cabral e o prefeito.

O povo, que já mostra seu inconformismo geral nas ruas, também se revoltou com a eleição do colegiado. Desde sexta-feira passada a Câmara está ocupada por manifestantes. E quem está fora não pode entrar – algo estranho, já que estamos falando da Câmara Municipal, que é a “casa do povo”.

Nesta quinta-feira, diante de manifestações contrárias, deve acontecer a primeira reunião dos membros da CPI, que se negam a renunciar a seus cargos.

Sobre a ocupação da Câmara Municipal e a natimorta CPI de investigação do cartel de ônibus que atua na cidade, circulam teses interessantes. Uma delas aponta que o presidente do PMDB no Rio, Jorge Picciani, teria sido procurado pelo capo da Fetranspor, o empresário Jacob Barata, preocupado com os rumos dos seus negócios. Ele teria sido informado que o prefeito Eduardo Paes cogitava rever as atuais concessões para transferi-las para grupos mais empresariais, como o Odebrecht. Seria uma forma de o prefeito dar uma de moderninho, mostrar serviço à população e pavimentar sua escalada rumo a cargos mais importantes depois das Olimpíadas. Picciani, por sua vez, não deveria ficar fora do jogo, tendo escalado parte de sua tropa de choque na Câmara dos Vereadores.

Também já se diz que o PSOL estaria remunerando manifestantes para apoiarem os criadores da CPI.

É difícil concluir alguma coisa com segurança, mas o fato é que não faz sentido que o grupo de vereadores dominantes continue esticando a corda com a opinião pública, enquanto governador e prefeito procuram recuar em conflitos que eles próprios causaram. Seriam esses vereadores a tropa de choque?

Em nota, próprio vereador Eliomar Coelho conta como foi a reunião da CPI, realizada nesta quinta-feira:

"Fui à sessão da #CPIdosOnibus, mas me recusei a permanecer por não ver legitimidade por vários motivos.

1 - Pedi uma questão de ordem que não foi me concedida.
2 - Não houve presença popular na reunião. Mesmo com o plenário livre, e
com o presidente da Casa ter dito que a reunião poderia ser lá, eles
insistiram na pequena sala do Cerimonial. Até a imprensa e funcionários tiveram dificuldade.
3 - Em desacordo ao já anunciado, a sessão não foi transmitida ao vivo pela TV Câmara nem pela internet no site da Câmara.
4- 5 Batalhões da PM, além do Batalhão de Choque, cercam a Cinelândia e
impedem o ir e vir da população, mesmo os que não viriam para a CPI.
5 - A proporcionalidade da Câmara não foi respeitada na distribuição de vagas na CPI.
6 - Ainda estamos questionando, internamente na Câmara, a distribuição
das vagas de acordo com a proporcionalidade, além da legalidade da
sessão de instalação da CPI dos Ônibus.

Enquanto não forem esgotadas essas questões, eu me recuso a participar das reuniões.
Reuniões essas, aliás, sempre convocadas sem a minha anuência. Assim como foi a sessão de instalação, que eu convoquei e depois eles deram um golpe e mudaram o dia.

E claro, a sociedade não vê legitimidade em 4 membros da CPI que sempre foram contrários a ela, inclusive com declarações."