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Política

A tragicomédia carioca

por Edgard Catoira — publicado 23/08/2013 16h59, última modificação 23/08/2013 17h20
Confrontos, pugilismos e prisões esquentam próximos capítulos deste folhetim político
Fernando Frazão/ABr
Rio de Janeiro

Manifestantes protestam em frente à Câmara dos Vereadores em apoio à suspensão da CPI dos Ônibus

O relatório final da CPI dos Ônibus, realizada na Câmara Municipal do Rio, já está pronto, estejam certos. Mas só poderá ser revelado depois que os vereadores da base do prefeito Eduardo Paes (PMDB), autoridades da prefeitura e representantes das empresas de ônibus terminarem suas falas, minuciosamente preparadas num mesmo script.

O palco ou picadeiro, se preferirem, é o plenário do Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara, e o primeiro espetáculo aconteceu na última quinta-feira, com galerias lotadas.

De um lado, manifestantes contrários à composição governista da CPI. Bem humorados, muitos estavam fantasiados de Dona Baratinha, aquela que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha. Ôpa! Dinheiro na caixinha? Na caixinha 2? Eles gostam... Este lado da plateia só estava homenageando a poderosa família Barata, também parte deste dramalhão – dominam as empresas de ônibus municipais.

Do outro, rapazes com ares de lutadores de jiu jitsu formavam uma verdadeira torcida organizada. Gritavam e saudavam não apenas os nomes do presidente e do relator da CPI, como também os nomes dos representantes do Governo que depunham na Comissão. Felizmente, não levaram rojões.

As autoridades da Prefeitura receberam as perguntas com antecedência e tinham as respostas na ponta da língua. Fizeram até uma apresentação em Power Point. E pouco importava se os presentes compreendiam alguma coisa. O essencial era ler o roteiro e transcrevê-lo em ata.

No entanto, a coisa de repente desandou. A natureza dos torcedores da CPI falou mais alto e eles acabaram comprometendo o espetáculo. Ao serem filmados por uma equipe de televisão, não se contiveram e partiram para a porrada. Mas em tempos de Midia Ninja e Facebook foram rapidamente identificados. Dois deles são funcionários da Secretaria de Estado de Governo, cujo titular, Wilson Carlos, patrocinou a candidatura do vereador Eduardão. Isso mesmo, Eduardão, fiel escudeiro da base do outro Eduardo, o Paes, prefeito do Rio e parceiro do governador Cabral.

Pegou muito mal, né? Servidor do Governo Cabral batendo em jornalista, na cobertura da CPI que investiga o cartel dos ônibus do Rio? E ligado a vereador da base do prefeito?

Pois é, pegou mal mesmo. As assessorias de imprensa de Cabral, Paes e do PMDB terão muito trabalho... Afinal, o relatório final da CPI dos ônibus, que deu tanto trabalho, que está prontinho, precisa ser salvo.

Vai ser necessário só um ou outro remendo, já que a CPI está suspensa por liminar da Justiça, exigindo explicações do presidente da Câmara, Jorge Felippe, finalmente diga alguma coisa de útil e não continue fugindo, omisso, de seu próprio papel. Na semana que vem o dramalhão continuará. Aguardemos as emoções dos próximos capítulos.