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Reatores nucleares voadores: em breve, sobre as nossas cabeças?

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 09/04/2012 16h41, última modificação 09/04/2012 16h43

Conforme matéria de 2 de abril no Guardian (http://www.guardian.co.uk/world/2012/apr/02/us-plans-nuclear-drones), cientistas e engenheiros dos EUA dos Sandia National Laboratories e da Northrop Grumman Corporation têm projetado uma nova geração de drones – veículos aéreos não tripulados, teleguiados ou automáticos – com propulsão nuclear.

É uma notícia assustadora para quem já se preocupa com o uso de drones convencionais, que cresceu enormemente no Afeganistão, Paquistão, Líbia, Iêmen e Somália desde o início do governo de Barack Obama. De 2004 a2007, houve 9 ataques de drones, em 2008 33, em 2009 53, em 2010 houve 122 e em 2011, foram 70.

Isso evita pôr em risco a vida de pilotos e economiza verbas do Pentágono, visto que os drones, ao dispensar cabine de piloto, pressurização e mecanismos de ejeção, são muito mais baratos que aviões tripulados. Mas, como é notório, muitos desses bombardeios atingem alvos errados. Segundo levantamento de jornalistas divulgado em fevereiro de 2012, esses ataques mataram de 2,4 mil a 3,1 mil pessoas das quais, segundo levantamento de jornalistas,467 a815 eram civis e 178 eram crianças, em muitos casos pessoas que tentavam socorrer feridos ou participavam de funerais.

Além disso, esses veículos são muito menos seguros e tendem a cair com muito maior frequência que aviões tripulados. E sendo operados à distância, podem até mesmo serem capturados intatos por hackers inimigos, como se deu em dezembro de 2011 com um RQ-170 Sentinel, drone “furtivo” de última geração dos EUA, ao sobrevoar o Irã para reconhecimento.

No papel, drones dotados de reatores nucleares poderiam permanecer no ar por meses sem reabastecer e eliminar a necessidade de bases avançadas e combustível para reabastecimento em regiões remotas. É a mesma lógica do uso de submarinos nucleares, que podem ficar muito mais tempo no mar do que os convencionais. Mas há duas diferenças evidentes.

Primeiro, se um submarino afunda, o reator nuclear simplesmente fica no fundo do mar até uma potência com tecnologia avançada se disponha a resgatá-lo. Se houver contaminação, não afetará seres humanos, ao menos de imediato. Já se um drone cai, o reator nuclear, o risco de contaminação de locais povoados é imediato e o reator, ou seus pedaços, estarão à mercê do primeiro a chegar, eventualmente terroristas ou outros inimigos.

Segundo, um submarino tem uma tripulação numerosa e várias normas de segurança para destravar suas armas. Um drone, que pode ser controlado à distância por um único usuário, pode ser facilmente desviado por traidores ou hackers.

Segundo o Guardian, a pesquisa com drones nucleares foi, por ora, suspensa devido ao receio (muito justificado) de que a opinião pública não os aceitasse. Mas o simples fato de esse projeto ter sido objeto de estudos ativos e de um simpósio (em 2008) é preocupante.

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