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Pior que a PM na USP

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 10/01/2012 14h40, última modificação 10/01/2012 14h40

A presença da Polícia Militar na USP, com as consequências previsíveis de assédio a estudantes pacíficos e cenas de racismo explícito por parte de policiais querendo “mostrar serviço” é ruim o suficiente. Mas poderia ser ainda pior, como mostra esta matéria do jornal britânico Guardian, “The US schools with their own police” (As escolas dos EUA têm sua própria polícia).

http://www.guardian.co.uk/world/2012/jan/09/texas-police-schools

No Texas, policiais armados andam pelos corredores de escolas de ensino médio e fundamental e prendem alunos por jogar aviõezinhos e deixar cair migalhas no chão, literalmente. Um caso é a da menina Sarah Bustamantes, de 12 anos: a pedido do professor, foi presa por “perturbar a aula” com duas borrifadas de perfume na própria nuca após colegas a assediarem chamando-a de “fedorenta”. Foi tirada da sala, acusada de crime e intimada a comparecer no tribunal. Um garoto de 16 anos, deficiente mental com QI inferior a 70, levou spray de pimenta nos olhos por não entender o que o policial lhe dizia. Agitando os braços de olhos fechados, atingiu o guarda e foi acusado de “agressão a funcionário público”. Aguarda julgamento e possível prisão.

Outras centenas de crianças têm sido levadas a julgamento por “crimes” como palavrões, bagunça no ônibus escolar, brigas no recreio, roupas impróprias ou chegarem atrasadas à aula. No ano letivo de 2007/2008, 3% dos alunos das escolas estaduais da cidade de Austin foram autuadas. Em 2010, foram 300 mil autuações de jovens e crianças texanas a partir de seis anos, que muitas vezes resultam numa ficha criminal que no futuro pode lhes custar um emprego ou uma vaga na universidade, numa prisão ou em multas de até 500 dólares, que caso não sejam pagas podem levar o adolescente à prisão assim que complete 17 anos.

A repressão nesse grau absurdo, que espantaria até um Stálin, vem das mesmas correntes de opinião conservadoras que apoiam a liberação total do porte de armas e a eleição de candidatos “libertários” queridos ao Tea Party por combaterem a intervenção do Estado na economia, os regulamentos ambientais e de proteção ao consumidor, os serviços de saúde e educação federais e a liberdade de bancos e empresas de agir como bem entenderem. Sinal nada ambíguo de que tal grau de liberdade para as elites, aqui como lá, só pode ser sustentado por meio da mais autoritária repressão das massas.

E por falar em Stálin, convém tomar nota da seguinte observação do economista, colunista e ex-secretário do Tesouro de Ronald Reagan Paul Craig Roberts, sobre as perspectivas dos EUA para 2012:

http://www.vdare.com/articles/the-outlook-for-the-new-year-tyranny-in-the-forecast

“(...) Muitos leitores, especialmente os que veem a Fox “News” e a CNN e leem o New York Times, talvez considerem hiperbólico meu cenário para 2012. Com certeza, acreditam muitos, essas recentes medidas draconianas [Lei Nacional de Autorização de Defesa ou NDAA que, assinada por Barack Obama em 30 de dezembro de 2011, autoriza o Pentágono a deter suspeitos de terrorismo sem julgamento, por tempo indefinido] só serão aplicadas a terroristas. Mas como poderemos saber? Tortura e detenção por tempo indefinido não exigem evidências para serem concretizadas. O público estadunidense não tem meios de saber se os presos torturados são terroristas ou opositores políticos. A decisão de deter e torturar é soberana, não se apoia em nada além da decisão de alguém no poder executivo. Por que os estadunidenses estão preparados para acreditar na palavra de um governo que lhes mentiu propositalmente que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa e era uma ameaça aos EUA?

 Como o câncer, a tirania cria metástases. Aleksandr Solzhenitsyn, o mais famoso escritor soviético, era um comandante do Exército Vermelho duas vezes condecorado na II Guerra Mundial. Ele fez suaves comentários críticos sobre a conduta de Stálin na guerra numa carta privada a um amigo e por isso foi condenado, não por um tribunal, mas à revelia e pela NKVD, a polícia secreta, a oito anos no Arquipélago Gulag por “propaganda antissoviética”. Mas nem mesmo Stálin tinha detenção indefinida. O mais perto dessa prática medieval ressuscitada pelos regimes de Bush e Obama a que os soviéticos chegaram foi o exílio interno em partes distantes da União Soviética (...)”.

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