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“Ditabranda” à chilena

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 05/01/2012 16h18, última modificação 05/01/2012 16h20

Após ter enfrentado uma rebelião estudantil contra o ensino pago que paralisou a educação chilena por todo o segundo semestre de 2011, o governo de Sebastián Piñera parece ansioso por novos confrontos nessa área.

O recém-nomeado ministro da Educação Harald Beyer, o terceiro em seis meses, engenheiro de negócios apresentado como “tecnocrata” apesar de ter feito parte do grupo que elaborou o programa político do presidente, endossou e justificou a decisão do seu Conselho Nacional de Educação que determinou que as escolas não mais usarão a expressão “ditadura” para se referir aos 17 anos de poder do general Augusto Pinochet, mas “regime militar” ou “governo militar”.

Se no Brasil já é hipócrita e ridículo o contorcionismo da mídia conservadora para evitar chamar de ditadura o resultado do golpe que apoiou em 1964, chega a ser deboche querer impor o uso de eufemismos ao Chile, que suportou uma das tiranias mais violentas dos anos 70, responsável por assassinatos e violações de direitos humanos públicas e notórias, pelas quais muitos militares e cúmplices foram julgados e condenados, no país e no exterior.

É buscar ativamente a radicalização do conflito do governo com professores e estudantes. Uma política suicida por parte de um governo cuja popularidade caiu para 22% no fim de dezembro, o mais baixo da história da redemocratização, ao mesmo tempo que sua antítese, a líder estudantil comunista Camila Vallejo, foi eleita a “personalidade do ano” por uma pesquisa de opinião. A menos que esse governo cogite de acirrar o conflito social para pescar em águas turvas e instaurar sua própria ditadura, seja qual for o nome que queira dar a tal regime.

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