Para aquela turma de Wall Street que levou o mundo à beira da depressão, não há crise. Enquanto o resto do planeta conta os centavos que restarão após a débâcle, o pessoal do papelório trata as suas frustrações à base de muito dinheiro.
Na ponta do lápis, segundo levantamento do Wall Street Journal, as cifras são de doer: Charles Schwab, cuja empresa, de mesmo nome, vale hoje metade do que valia há um ano, saiu desta com 817 milhões de dólares. Angelo Mozilo, da Countrywide Financial, de hipotecas, hoje em situação pré-falimentar, valendo 10% do que valia em 2007, embolsou 470 milhões. Richard Fuld Jr., do Lehman Brothers, levou 185 milhões e o banco foi à falência, e assim por diante. A lista do WSJ contabiliza os ganhos de 25 executivos de “primeiro time”, num total de 4,9 bilhões de dólares embolsados nos últimos cinco anos. E, na outra ponta, nada menos que 9 trilhões de dólares em prejuízos para os investidores das bolsas norte-americanas no último ano.